"Avenida Brasil" oferece um espelho para a nova classe C

Mauricio Stycer

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No esforço declarado de agradar aos milhões de recém-chegados ao mercado de consumo nos últimos anos, a Globo volta a propor uma novela, em seu horário nobre, dedicada a este público-alvo. A chamada nova classe C tem, mais uma vez, a oportunidade de se ver numa espécie de espelho, no papel de protagonista da trama.

O primeiro capítulo de “Avenida Brasil” passou-se em 1999, num bairro com nome e cara de cidade interiorana. Divino conta até mesmo com um personagem, Silas (Ailton Graça), que vive de fazer anúncios pelo alto-falante num "carro de mensagem", caindo aos pedaços.

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Também são importantes na trama as manicures, o contador a bordo do Fusca, o pequeno comerciante e o jogador de futebol, entre outras figuras de origem humilde que, com todo o jeito, vão experimentar a ascensão sócio-econômica nos próximos anos por méritos próprios ou golpes baixos.

Fenômeno curioso, assim como ocorreu em “Fina Estampa”, em “Avenida Brasil” as diferenças sociais entre ricos e pobres são atenuadas pelo expediente de reunir todos os personagens num mesmo lugar.

Na novela de Aguinaldo Silva, ainda havia alguma ambigüidade, pelo fato de tudo ocorrer em uma Barra da Tijuca com um pé na realidade e outro na ficção; na trama de João Emanuel Carneiro, não há margem para dúvidas: o cenário é um bairro fictício, localizado na zona norte do Rio.

“Vou contar um segredo: continuo fazendo novelas rurais. Nenhuma novela minha é urbana. Você acha que a Barra da Tijuca de ‘Fina Estampa’ existe? É uma cidade do interior”, contou Aguinaldo Silva no “Roda Viva”, há três semanas, dando uma boa dica, também, sobre a novela que está começando agora.

O capítulo de estreia de “Avenida Brasil” começou eletrizante, como é de praxe. Teve final de campeonato no Maracanã, com vitória do Flamengo assegurada pelo gol decisivo de Tufão (Murilo Benício), o craque descoberto no Divino Futebol Clube.

Teve humor, com as peripécias de Cadinho (Alexandre Borges), um milionário com jeito de Don Juan, nascido no Divino, casado com três mulheres.

E teve, em especial, drama. Com a ajuda da filha, Genésio (Tony Ramos) descobre que sua segunda mulher, Carminha (Adriana Esteves), é uma megera interessada apenas em seu dinheiro.

A última cena antecipou os próximos passos do folhetim. Chovendo forte, o campeão Tufão está voltando para Divino quando atropela Genésio. Morrendo, o contador tenta alertar o jogador sobre Carminha, mas consegue dizer apenas o nome da mulher, o que abre mil possibilidades.

 

Mauricio Stycer

É jornalista desde 1986. Repórter e crítico do UOL, autor de um blog que trata da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor. Conheça seu Blog no UOL

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