Fina Estampa

"Beijo gay só lá em casa", diz Aguinaldo Silva, descartando cenas quentes em sua próxima novela
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MICHELE GOMES

Colaboração para o UOL, do Rio

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Famosos prestigiam encontro com Aguinaldo Silva40 fotos

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Aguinaldo Silva, autor de "Fina Estampa", é entrevistado por Christiano Cochrane no encerramento do projeto "Cenas de um Autor", no teatro Solar de Botafogo, na zona sul carioca. No projeto, prestigiados autores da televisão brasileira são entrevistados por atores famosos (18/7/2011) VEJA MAIS > Imagem: AgNews

Aguinaldo Silva é o único autor a ter escrito somente novelas das nove. Ele criou sucessos como “Tieta”, “Fera Ferida” e “Roque Santeiro” (esta última, em coautoria com Dias Gomes) e estreia seu novo trabalho, “Fina Estampa”, dia 15 de agosto, na Rede Globo. Antes de ficar afogado em sinopses e roteiros, Aguinaldo participou de um bate-papo no projeto “Cenas de um autor”, nesta segunda-feira (18), no Rio de Janeiro, e falou sobre sua carreira sem censura.

O único assunto vetado foi sua próxima novela, mas ele tem motivos: “Não posso falar nada, porque as únicas coisas que eu falei acabaram aparecendo em outras novelas. Só digo que é tradicional, realista e bem popular. Está mais para ‘Senhora do Destino’ do que ‘Duas Caras’”. O autor ainda aproveitou para descartar qualquer possibilidade de cenas quentes entre pessoas do mesmo sexo - mas vai apresentar um misterioso personagem homossexual. “Beijo gay só lá em casa. Não é uma questão da emissora. Fiz uma enquete e 75% das pessoas disseram não querer ver beijo gay na televisão. Então acho que esse assunto deve ficar em banho-maria por uns 25 anos”. Leia a seguir o bate-papo acompanhado pelo UOL:

Que dificuldade você encontra na hora de criar um texto realista?
Aguinaldo Silva – Três coisas estão dificultando muito o processo de criação de uma boa história. A primeira é a invenção do porteiro eletrônico. Não dá mais para a mocinha abrir a porta surpresa e falar: “Você!”. A segunda coisa é o celular. Em “Fina Estampa” finalmente consegui colocar um celular dramaturgicamente. E a terceira coisa é essa história de politicamente correto. O público está cada vez mais hipócrita.

 

"Povo não quer ver beijo gay na televisão", diz Aguinaldo Silva; assista

Você acredita que falta originalidade nas tramas atuais?
Aguinaldo Silva – Hoje é muito difícil ser original, porque tem muita novela, muita série, programas na internet. Tudo é oferecido ao mesmo tempo e tudo já foi feito. Era muito mais fácil há 20 anos. Hoje ainda tem a censura do politicamente correto. Você não pode colocar uma enfermeira na novela, que o sindicato vem atrás para processar.

E qual é a influência do público na sua obra?
Aguinaldo Silva – Sou como um vampiro, sugo as ideias do público. Porque a novela não é feita para mim; é para os espectadores. Nada é imutável. Dependo muito da opinião deles para seguir com minha trama.

Novela ainda tem tempo útil de vida?
Aguinaldo Silva – Novela é o único produto lucrativo da emissora. Minissérie dá muito prejuízo, porque é muito dinheiro gasto de produção para ficar pouco tempo no ar e em um horário nada nobre.

Isso vale também para os seriados?
Aguinaldo Silva – Americanos atingiram a perfeição nos seriados. A gente precisa aprender a fazer esse tipo de produção, porque é isso o que todo mundo quer ver. Ainda estamos na fase de “Friends” e “Will and Grace”. Para americanos, isso já é passado há muito tempo. Seriado é coisa séria. Não é uma brincadeira entre amigos e diretores.

Por falar em 'brincadeira entre amigos e diretores', como funciona a escolha do elenco das suas novelas?
Aguinaldo Silva – Quando não quero um ator, eu falo “Ah, mas não sei escrever para fulano” e as pessoas entendem. Eu tenho meus preferidos, mas é preciso negociar com o diretor, porque é ele quem vai conviver por muitos meses.
 

Era muito mais fácil há 20 anos. Hoje ainda tem a censura do politicamente correto. Você não pode colocar uma enfermeira na novela, que o sindicato vem atrás para processar.

Aguinaldo Silva, dramaturgo

Você é veterano em produções, pensa na aposentadoria?
Aguinaldo Silva – Quando fiz “Senhora do Destino”, decidi que aquela seria a décima na contagem em direção à minha aposentadoria. Com a estreia de “Fina Estampa” vão faltar sete. Essas eu tenho que assinar sozinho, sem coautoria.

Das novelas que fez, qual a sua preferida?
Aguinaldo Silva –  “Indomada” me deu 110% de retorno. É o trabalho que guardo as melhores recordações.

Como é sua rotina de trabalho?
Aguinaldo Silva – Escrevo todos os dias, mesmo estando de férias. É como tocar piano, você precisa estudar diariamente. Quando você faz novela, aprende que esse negócio de inspiração não existe. Se for esperar a ideia nascer, você está perdido. São 35 páginas, seis vezes por semana. É um trabalho e precisa de treinamento.

Você também escreve um blog, que costuma render polêmicas na internet...
Aguinaldo Silva – Meu blog é o meu espaço. Não abro mão de ter minha opinião. Sou polêmico, porque me recuso a ser hipócrita. Mas é preciso ter cuidado com o que se fala na internet, porque não tem volta. É definitivo.

Existe assunto proibido para novelas?
Aguinaldo Silva – Assuntos muito profundos, como a pedofilia, são intratáveis em uma novela. Porque não existe tempo nem espaço suficiente para aprofundar.

  • AgNews

    Aguinaldo foi entrevistado por Christiano Cochrane no projeto "Cenas de um autor" (18/7/2011)

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