Humorista do "Zorra Total" abandonou faculdade de Física para ser imitador

Renato Damião
Do UOL, no Rio

No ar no "Zorra Total" há um mês com o personagem Plim Plínio, Filipe Pontes, de 26 anos, tem garantido boas risadas com suas imitações de personalidades como Fábio Assunção, Tony Ramos e Luciano Huck. Natural de Ribeirão Preto, São Paulo, o que pouca gente sabe é que o comediante por pouco não se tornou um professor de Física.

"Gostava muito de Física e na pressa de escolher uma opção no vestibular acabei escolhendo essa. Mas ao longo da faculdade percebia que as pessoas não me levavam a sério, não ia conseguir dar aula", contou Filipe durante entrevista ao UOL, no Rio, onde mora há seis anos.

O ator abandonou a faculdade e se mudou para a cidade a fim de estudar teatro. "Ouvia sempre que tinha que ser ator, lembro que falei para mim mesmo: 'Se hoje eu ouvir de três pessoas que tenho que ser ator vou abandonar a faculdade'. E foi isso que aconteceu", relembrou Filipe, que recebeu total apoio do pai e acabou deixando a mãe "maluca" com a decisão.

O talento para a imitação, segundo ele, vem desde a infância. "Eu e meu irmão gêmeo imitávamos os professores. Éramos a sensação do colégio. Reunia todo mundo na quadra para nos assistir, os professores terminavam a aula mais cedo", disse aos risos. Mesmo assim, ser um imitador nunca fez parte dos seus planos.

"A imitação para mim era uma brincadeira, nunca achei que fosse uma ferramenta profissional, que eu ia viver disso, eu não fiz planos para ser ator, mas me reconheci como tal e acabei tendo a consciência que isso é uma atividade profissional, já meu irmão foi ser administrador", explicou.

Filipe viu sua carreira mudar ao participar do quadro "Se Vira nos Trinta", do "Domingão do Faustão", em 2008. "Perdi para um cachorro, mas acabei colhendo muitos frutos depois. Dali fui convidado para participar da 'Malhação' e foi lá que acabei imitando o Luciano Huck para o próprio Huck". Na época, a novela juvenil possuía um quadro em conjunto com o "Caldeirão do Huck", chamado "Olha a Minha Banda".

"Lembro que comecei a imitar o Huck nos bastidores para a equipe e todo mundo começou a rir, daí o Huck estava lá para gravar e pediram para eu imitá-lo para ele ver, ele adorou". Pouco tempo depois foi a vez de Maurício Sherman, diretor do "Zorra", convidar Filipe para um teste.

"Estou no 'Zorra' desde 2009, mas sinto que lá é uma escola. Tive a chance de conhecer o cara que para mim é a grande referência da imitação, que é o Chico Anysio. Foi ele quem me disse que a imitação é o começo de tudo. Você começa imitando o cara da padaria e vai se aperfeiçoando até tipos maiores", relembrou Filipe.

André Durão/UOL
Digo que a imitação precisa ser emblemática, tem que ter o tiro certo, se as pessoas demoram para reconhecer você já perdeu a piada

Para conseguir o tipo perfeito ele busca sempre personalidades que são de fácil reconhecimento pelo público, contudo, seu diferencial é imitar a forma como os atores interpretam seus personagens. Foi assim com o Arthur Faria e o Jorge Tufão, ambos interpretados por Murilo Benicio. O primeiro em "Pé na Jaca" e o último no sucesso "Avenida Brasil".

"Digo que a imitação precisa ser emblemática, tem que ter o tiro certo, se as pessoas demoram para reconhecer você já perdeu a piada", explicou Filipe.

Do panorama do humor atual, ele destacou as presenças de Marcelo Adnet, Danilo Gentilli e dos humoristas do Porta dos Fundos ("Pode avisar que sou uma mão de obra para ele"). "A internet abriu espaço para muita gente e trouxe liberdade para os humoristas", pontuou.

Indagado se o humor tem sofrido com o politicamente correto, Filipe descartou: "Não gosto de piadas ofensivas e depreciativas, mas entendo que o humor é uma forma de reconhecer as fraquezas do ser humano e algumas pessoas podem ser ofender com isso".

Sobre o tipo de piada que não funciona mais, o comediante acredita que não se pode mais apelar para um texto repleto de palavrões ou para uma piada "gratuita". "Tem programas que apelam para a sensualidade, enquanto mostram bundas e peitos a piada não está sendo feita, e o Tom Cavalcanti está desempregado", alfinetou.

Para o futuro, Filipe espera poder se aventurar no cinema e não descarta a possibilidade de fazer um papel dramático. "Sou um artista, quero me testar em todos os formatos e possibilidades", finalizou.

Notícias relacionadas

titulo-box Shopping UOL

UOL Cursos Online

Todos os cursos