| AgNews Fábio Assunção prefere os vilões |
Desde o início de "Paraíso Tropical", a grande preocupação de Fábio Assunção era evitar que Daniel, o protagonista da trama, caísse no estereótipo do mocinho que, de tão bonzinho, virasse a personificação da chatice. Isso porque o ator de 36 anos nunca escondeu que prefere os vilões. "Eles são mais humanos. Não estão sempre felizes e sorridentes", opina.
Depois de sete meses no ar, com uma média de 41 pontos de audiência, muitas lágrimas em cena e situações adversas, Fábio acredita ter cumprido sua missão. "O Daniel se mostrou um cara humano, que explodia quando necessário. E a novela seguiu uma linha dinâmica", avalia.
Isso porque Daniel foi vítima de uma série de acusações ao longo da novela que colocaram seu caráter em duvida. Já nos primeiros capítulos, o personagem foi acusado de pedofilia - graças a uma armação de Olavo (Wagner Moura). Por isso, precisou passar boa parte da história provando sua inocência.
Em seguida, foi demitido do Grupo Cavalcanti sob suspeita de desvio de dinheiro, e até Paula (Alessandra Negrini), sua musa inspiradora, duvidou de sua fidelidade. Agora, ele é um dos suspeitos de ter assassinado Taís, a "gêmea má". "Ele brigou, xingou, correu atrás do que acha justo", defende.
Para Fábio, conseguir transformar o galã escrito por Gilberto Braga em um personagem crível se deve em parte à longa parceria dos dois. Desde "Pátria Minha", participou de todas as novelas do autor. A parceria seguiu na minissérie "Labirinto" e em "Força de Um Desejo" e "Celebridade" - onde viveu o inescrupuloso e inesquecível Renato Mendes.
Mais do que um "queridinho" de Gilberto, o ator acredita que existe entrosamento entre sua maneira de interpretar e os textos do autor. "Sabemos que podemos contar um com o outro. O que mais admiro são as múltiplas possibilidades que os personagens dele me dão. Mesmo no caso de um mocinho, como o Daniel", coloca.
Sem outra novela em vista, Fábio só pretende descansar. Antes disso, entra em cartaz com "O Primo Basílio". Na pele do protagonista, o ator garante que não teve problema em aparecer nu na tela. "Não me incomodei nem um pouco. O filme tem sangue, suor e tesão", justifica.
Ainda neste semestre, viverá novamente o detetive Bellini em "Bellini e o Demônio", baseado no livro de Tony Belloto. "Aprendo muito com a minha profissão. É um trabalho incrível de observação do ser humano", completa.
Apesar do entusiasmo com a carreira, Fábio faz parte do time de atores avessos à fama. "É impossível levar uma vida normal", reclama. Tanto que faz cara feia quando o assunto é a exposição imposta pela TV.
E admite que já pensou em desistir da profissão, tamanha é sua indignação diante da constante invasão de privacidade. "A vida está ficando esquisita. As limitações me deixam pensativo", enfatiza.
Fábio é um dos 18 nomes escalados para a gravação do último capítulo de "Paraíso Tropical", no próximo dia 28, poucas horas antes de ser exibido. E a pergunta inevitável: quem matou Taís? "Realmente não faço idéia. Vamos gravar cinco opções, como o Gilberto sempre faz", despista.
(por Fabíola Tavernard)
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