Fox estréia no Brasil séries rejeitadas nos EUA
O canal pago Fox estreou na noite desta quarta-feira (2) duas séries que ilustram bem a máxima de que o dinheiro não compra tudo. Mesmo na milionária TV norte-americana, que esbanja fartura de verbas de produção, atores e roteiristas, acontecem coisas que fazem a gente pensar sobre o quão longe pode chegar a bobeira humana.
A primeira série, "Life on a Stick", exibida às 21h, mostra o cotidiano de adolescentes que trabalham em uma lanchonete fast-food, tendo como núcleo secundário a casa do protagonista Laz. Na praça de alimentação, Laz sofre com um chefe tirânico, tem um melhor amigo tão burro quanto engraçado e cobiça uma linda atendente, que parece inacessível mas será conquistada por um ato de heroísmo. Em casa, ele convive com o pai atrapalhado e sarcástico, a madrasta gostosa, a meia-irmã agressiva e o irmãozinho precoce.
Com poucos minutos de exibição, já se percebe que "Life on a Stick" é uma coleção de personagens padronizados, desses que mudam apenas de nome e intérprete de uma sitcom para outra. Mas tudo bem, até as séries de maior sucesso têm estereótipos. O que as diferencia mesmo é o roteiro, o texto e as atuações e, justamente por fracassar nesses departamentos, que "Life on a Stick" é uma droga. Falta química entre os atores, o texto é sem graça e o roteiro... bem, basta dizer que o ponto de maior tensão do primeiro episódio foi a revelação de quem sabotou o óleo de fritura da lanchonete.
Já em "Living With Fran", estrelada pela ex-"The Nanny" Fran Drescher às 21h30, o nome da série diz bem de que se trata: uma produção erguida em torno da atriz de uma só personagem, ou vice-versa. Mudando o nome da protagonista de Fran Fine para Fran Reeves, Drescher é uma quarentona judia recém-divorciada e sexy, que começa a reconstruir a vida com um namorado (Riley) de apenas 24 anos, para grande incômodo do filho dela, Josh, que tem 21.
No quesito atuação, "Living With Fran" não é trash como "Life on a Stick". Os atores são melhores e até que bem ajustados aos papéis. Com exceção da filha de Fran, Allison, que tem 15 anos mas é personificada por uma atriz de 24 (Misti Traya, de "Huff"). E o texto tem lá seus momentos, como quando Josh diz a Riley que o namoro deles é mero fruto da crise de meia-idade da mãe: "se ela fosse homem, você seria um Porsche".
O que incomoda na série é a egolatria de Drescher. Em determinado momento Riley lhe diz: "a única coisa perfeita por aqui é sua bunda". Sem falar na descarada clonagem da personagem anterior, com os mesmíssimos trejeitos e, de certa forma, iguais vínculos afetivos. Até o ex-marido de Reeves é personificado por Charles Shaughnessy, o Mr. Sheffield, com quem Fine se casou no final de "The Nanny".
Como o pessoal do fast food é muito fraquinho e a Fran recauchutada bem menos divertida que a original, não seria difícil prever um futuro espinhoso para ambas as séries. Até porque, as que duram apenas uma temporada -ou menos- não são raridade na TV. Aos sábados a Sony tem exibido "Cupid", estrelada pela bonita Paula Marshall, que pegou fama de pé-frio porque fez meia dúzia de séries e nenhuma chegou ao segundo ano -a Sony passou outra delas, "Hidden Hills", que eu até gostava de assistir.
Assim, sabendo por experiência própria como é chato quando um programa some contra nossa vontade, previno os improváveis fãs de "Life on a Stick" e "Living With Fran" que bem... sua série já subiu no telhado. "Life on a Stick" foi cancelada nos EUA depois de apenas cinco episódios, mesmo já tendo 13 gravados, e "Living With Fran", tendo chegado à segunda temporada graças aos órfãos de "The Nanny", foi suspensa no quinto episódio por não sustentar a gorda audiência que recebia de "Reba".
Digamos que a história da TV não vai sofrer muito com esses golpes.
|
|
|