Minissérie "Roma" aposta em abordagens atípicas
Na noite deste domingo (9), o HBO exibiu na seqüência os dois primeiros episódios da minissérie "Roma", co-produção sua e da BBC britânica, alardeada como a minissérie mais cara já feita na história da TV. Os doze episódios de "Roma" custaram US$ 100 milhões, superando o orçamento de outra superprodução da mesma sociedade, "Band of Brothers", que gastou US$ 90 milhões para falar da Segunda Guerra Mundial.
"Roma" foi filmada principalmente na Cinecittà italiana, em cenários de 20 mil m2, que reproduzem a capital imponente e asséptica, de grandes palácios e residências suntuosas, que sempre se viu nos grandes filmes épicos de Hollywood. Ao mesmo tempo, e no que constitui a novidade de ambientação da série, também é retratada a "baixa Roma", de ruas estreitas e fétidas, onde o grosso da população transitava e morava em condições precárias, similares às da periferia de qualquer metrópole do Terceiro Mundo. A descida visual ao submundo resulta de uma novidade análoga introduzida no roteiro: "Roma" conta a ascensão de Júlio César (Ciaran Hinds) e o nascimento do Império Romano sob o ponto de vista de dois personagens de baixo estrato social, ambos legionários: o centurião Lúcio Vorenus (o escocês Kevin McKidd, de "Trainspotting" e "De-Lovely") e seu subalterno, Tito Pullo (o inglês Ray Stevenson, de "King Arthur"). Membros da campanha de Júlio César na Gália, Lúcio e Tito recebem de Marco Antônio (James Purefoy) a missão de recuperar a águia dourada, ícone de César, roubada do acampamento a mando de seu velho amigo, mentor e agora rival político, Pompeu Magno (Kenneth Cranham). Bem sucedidos na empreitada, eles ainda têm a sorte de resgatar, das mãos de salteadores, o jovem sobrinho-neto de César e futuro imperador Otaviano (Max Pirkis). O prestígio conquistado junto a Marco Antônio e Otaviano levará a dupla de legionários a freqüentar a corte romana e a participar de seus jogos de poder, mas a abordagem atípica de "Roma" também se estenderá a suas vidas privadas -e, pelo menos no que se refere a Lúcio, a subtrama que envolve seu casamento deverá ter cenas de folhetim, com segredos e intrigas de família. A preocupação dos produtores de "Roma" com o realismo transcende cenários e figurinos e chega à intimidade doméstica romana -há cenas de nudez frontal e sexo incomuns em produções televisivas. No quesito "costumes liberais", destaca-se a ambiciosa e sensual sobrinha de César, Atia (Polly Walker), capaz de desmanchar o casamento da filha para arranjar-lhe um partido melhor, e protagonista de tórridas cenas de amor com Marco Antonio. Como costuma acontecer em histórias com muita gente e ritmo acelerado, os episódios exibidos na estréia, "A Águia Roubada" e "Como Tito Pullo Derrubou a República", ainda deixam o telespectador um tanto confuso sobre a identidade e o papel histórico de cada personagem. Nessa fase de adaptação, "Roma" conta muito com os cenários grandiosos, a violência das cenas de ação e, claro, nudez e sexo, para garantir a atenção e o interesse inicial da audiência.
Como além desses temperos saborosos o público tem a inédita e privilegiada visão dos dois legionários, sobre um episódio que é interessante mesmo no mais aborrecido livro de História, "Roma" promete boa diversão. Nos EUA, ao menos, a audiência respondeu tão bem que a HBO já promete uma segunda temporada para 2007. Um aviso: o leitor que se interessou pela minissérie e pretende acompanhá-la, os capítulos inéditos de domingo são reprisados às quintas-feiras, mas cuidado para não ser vítima de um erro de divulgação, imperdoável para uma produção tão cara e badalada. O site brasileiro da HBO (www.hbo-br.tv) informa que o terceiro episódio de "Roma" será exibido no dia 16/10 às 21h. No entanto, tanto a revista da TVA (que tem a série na capa) quanto o site da operadora (www.tva.com.br) registram 22h, que é o horário correto. Programe-se aqui!
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