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10/04/2008 - 17h18

Séries de ficção usam cada vez mais interatividade para conseguir audiência fora da TV

MARINA CAMPOS MELLO

Enviada especial a Cannes, França

Divulgação

Cientistas de "Regenesis" têm a ajuda dos espectadores

A interatividade está cada vez mais presente em séries de ficção na TV. O espectador, que antes se limitava a escolher o desfecho de um episódio em programas como o extinto "Você Decide", da Globo, pode agora definir os rumos de uma produção. Ele pode, inclusive, produzir material que se integra à série exibida na TV.

De acordo com Brian Seth Hurst, especialista americano em cross-media que moderou, nesta quarta (8), debate sobre o tema na MIPTV, feira de conteúdo televisivo que acontece em Cannes, França, esse é o grande formato de entretenimento do futuro. "Esse tipo de experiência une o que há de melhor na TV, nos games e na Internet", diz Hurst.

Na série canadense "Regenesis", que está no ar em sua quarta temporada, os espectadores são "chamados à ação". Ao "ajudar" os pesquisadores do laboratório virtual NorBac a solucionar casos, numa espécie de game, os fãs interferem no enredo do programa.

Em alguns casos, os espectadores enviam "pistas", que podem, por exemplo, ser fotos tiradas em lugares que de fato existem. O material enviado pode fazer parte de cenas da série. Dependendo do grau de envolvimento do espectador nas investigações, ele pode se tornar um "agente Norbac" na comunidade do programa.

A norueguesa "Marika" também faz os espectadores participarem de uma investigação no "mundo real" que define os rumos da história. As pistas podem ser encontradas até pelo Google Earth. A série, aliás, deixa indefinidos os limites entre ficção e realidade. Baseada na "história real" do desaparecimento de 20 mil suecos em 1966, entre os quais estava a garota Marika, a série promove debates ao vivo, com um apresentador verdadeiro, que modera a discussão de atores desconhecidos.

Um dos precursores desse tipo de programa foi o português "O Diário de Sofia", sobre uma típica adolescente de 17 anos. Lançado em 2003 e exportado para diversos países, o programa está em sua quarta temporada. Nele, o espectador vota para definir como será o próximo episódio. O programa também tem episódios transmitidos pelo rádio, celular e virou série de livros. Na comunidade do programa na Internet, Sofia tem um blog pelo qual se comunica com os espectadores, que podem virar seus amigos virtuais.

Nuno Bernardo, que criou "O Diário de Sofia", conta que, em outras produções, chegou a promover "flash-mobs" --reunião de um grupo de pessoas em local público para uma rápida performance-- para interagir com os espectadores. Bernando diz que faltam programas de TV voltados para adolescentes entre 12 e 18 anos. Segundo ele, esses programas interativos funcionam muito bem para suprir essa lacuna.

"Com esse tipo de interação, cria-se um novo mundo, uma 'realidade virtual', ao qual a pessoa passa a pertencer e onde ela pode agir", explica. "É um tipo de entretenimento que promove uma forte ligação entre o espectador e o show, que não termina quando a TV é desligada."
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