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31/01/2008 - 12h59

Wilson dos Santos comemora sucesso do seu personagem em "Duas Caras"

Do PopTevê

Luiza Dantas/ Carta Z Notícias

Ator começou a carreira no teatro, mas alcançou a fama pelo papel em "Duas Caras"

Desde que estreou em "Duas Caras" como Jojô, o dono da uisqueria, Wilson dos Santos é parado onde quer que vá para receber elogios e declarações de amor ao personagem. Mas uma abordagem diferente o surpreendeu outro dia. "Um rapaz me parou na Oscar Freire, em São Paulo, e disse: sou seu fã, mas do teatro, hein?", lembra orgulhoso.

Mesmo com 25 anos de carreira e 40 de idade, só agora o ator sente retorno do público. Ele recorda que isso acontecia esporadicamente quando atuava nos palcos e que agora é uma constante em todos os lugares que freqüenta.

O que pode parecer incômodo para alguns é uma das alegrias diárias do ator. "É muito bom, quem não quer? Quem não quer, que pena! Eu quero muito", confessa o ator aos risos. Para ele, isso é um reconhecimento de um trabalho que trilha desde os 15 anos.

A empatia com o público se deve, em boa parte, ao núcleo no qual o personagem está inserido na trama. Como ele era o dono do clube em que Alzira (Flávia Alessandra) dançava quase nua, todas as atenções do público se voltaram para a uísqueria. Até que a ameaça de reclassificação de horário da novela roubou os holofotes da casa de shows e resultou na explosão do local, na tentativa de evitar problemas para a emissora.

Mudanças
O que poderia significar um fim para o Jojô e suas garotas virou um recomeço. "Por qualquer motivo que tenha acontecido a explosão, a uisqueria cumpriu a função dentro da novela que era gerar comentários", acredita. Wilson, assim como os demais atores do núcleo, viram seus personagens crescerem dentro da trama depois da explosão.

A "reinvenção" do Jojô surpreendeu até o ator. Há cerca de um mês, o diretor Wolf Maya revelou, durante a gravação de uma cena, que iria aparecer uma mulher e quatro filhos para o personagem. Mas Wilson achou isso tão improvável e inviável que apenas riu. A descrença na existência de uma família para o personagem vinha da sinopse original, que o definia como um homossexual alegre, mas com um lado oculto que podia tender para o mal. "É bom para todo mundo porque um ator pode mostrar seus dois lados na novela das oito", comemora.

A sexualidade do personagem é só uma das dúvidas deixadas no ar pela trama. Por mais que o dono da uísqueria diga não ser homossexual, há alguns segredos que precisam ser explicados e, por mais capítulos adiantados que o autor possa deixar, Wilson ainda não sabe que caminho Jojô vai seguir.

Para tentar se guiar na trama, o ator lê os capítulos que chegam com muita atenção e tenta enxergar todas as possibilidades dos personagens que o cercam. "Porque, por ali, a gente sempre acha um caminho. Apesar de cada um ter uma leitura, já é um começo", explica.

A maleabilidade que um texto de novela possui, em que o personagem pode mudar de rumo a qualquer instante, ainda é uma das dificuldades do ator. Por mais capítulos adiantados que o autor mantenha, Wilson ainda sente falta de diálogo com os parceiros de cena durante meses que o teatro permite. "Diferente do teatro, aqui a gente fica lendo sozinho em casa feito um maluco e não troca tanto com os parceiros de cena", conta.

Mas o ator, que começou fazendo de tudo um pouco no teatro, como afinar rebatedor, cuidar da iluminação até trabalhar de camareiro, está disposto a aprender a lidar com isso para se superar no novo veículo. "Acho que tenho o talento para atuar. Mas tenho que aprender algumas técnicas da televisão", conclui.

(por Kelly Valente)
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