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20/08/2006 - 15h35

Milhares de fãs invadem Las Vegas para comemorar os 40 anos de "Star Trek"

Por Zachary Slobig

LAS VEGAS, EUA, 20 ago (AFP) - Milhares de pessoas invadiram um hotel de Las Vegas, Nevada (oeste dos Estados Unidos), neste final de semana para celebrar o 40º aniversário de "Star Trek", a duradoura série de ficção científica cujo culto parece transcender as fronteiras do tempo e do espaço.

Apesar de originalmente considerada muito "cerebral" pelas emissoras americanas na época em que foi lançada (setembro de 1966), "Star Trek" (ou "Jornada nas Estrelas") conquistou fãs de todos os tipos e idades, inclusive personalidades como Isaac Asimov e Martin Luther King, ganhou o aval da crítica e acabou se transformando num dos produtos mais duráveis e rentáveis de Hollywood, com lucros de mais de um bilhão de dólares em cinco séries para TV, dez filmes para cinema, videogames, livros, brinquedos e toda uma série de produtos correlatos.

A série original, protagonizada por William Shatner como o capitão Kirk, Leonard Nimoy como o lógico vulcano sr. Spock e DeForrest Kelley, como o profundamente humano dr. McCoy (já falecido), foi ao ar por apenas três anos. Acabou cancelada por falta de audiência, mas as reprises, veiculadas no mundo todo ao longo dos anos 70, cativaram uma verdadeira e fiel legião de seguidores que se autointitulavam "trekkers", palavra que hoje consta inclusive do dicionário Oxford.

Gene Roddenberry escreveu o piloto da série em 1965, o mesmo ano da primeira caminhada do homem no espaço, e engenhosamente camuflou sua fábula sobre o futuro da humanidade com elementos de faroeste que, na época, eram de maior compreensão para o público americano médio. "Star Trek" mostrava as aventuras da tripulação da nave espacial Enterprise num futuro distante, em sua missão de "buscar novas formas de vida e civilizações, audaciosamente indo aonde nenhum homem jamais esteve". Para muitos, a criação de Roddenberry (conhecido como "O Grande Pássaro da Galáxia") era um entretenimento que examinava os problemas sociais da Terra contemporânea com uma sensibilidade sem precedentes. "Star Trek" é considerada, inclusive, o primeiro produto de contracultura da televisão americana.

Em pleno período da Guerra Fria, a tripulação da Enterprise era formada por personagens de várias origens raciais, todos com igual peso de importância. A série também foi a primeira a mostrar um beijo entre um homem branco, o capitão Kirk, e uma mulher negra, a tenente Uhura, na televisão americana. Jogando as histórias no futuro, Roddenberry falou de racismo, luta de classes e imperialismo e acabou criando toda uma nova mitologia que extrapolou fronteiras.

"'Star Trek' foi um programa de visão, com princípios e ideais", afirma George Takei, o tenente Sulu, ao se apresentar ante um salão abarrotado de fãs em Las Vegas.

"Roddenberry acreditava que a fórmula da 'infinita diversidade em infinitas combinações' (o IDIC, símbolo vulcano) era o que tornava nosso mundo mais bonito", acrescentou.

"'Star Trek marcou o 'Zeitgeist' (espírito da época) da década de 1960", explica à AFP o professor de sociologia Kerry Ferris, da Northern Illinois University.

"A filosofia da aventura era inclusiva e não-discriminatória. Falava do diferente, da aceitação do outro, e isso inspirou fãs a viverem por estes princípios e a passar a diante a mensagem", acrescentou. Em função disso, muitas teses de sociologia, filosofia e comunicação foram escritas sobre a série, que é citação recorrente e obrigatória na cultura pop.

No entanto, os fiéis trekkers - que adoram ir a convenções fantasiados com os trajes de seus personagens favoritos - costumam ser normalmente ridicularizados por sua devoção sem limites.

"É um grupo como outro qualquer, que gosta de partilhar seus interesses", disse Ferris. "Não é diferente de uma torcida de futebol ou um fã-clube qualquer".

Agora, passados 40 anos, a comunidade trekker em sua maioria é formada por profissionais que cresceram vendo a série e que, inclusive, tiveram a escolha de sua carreira influenciada por ela, como boa parte dos engenheiros da Nasa. Não é à toda que o protótipo do ônibus espacial foi batizado "Enterprise". Quem começa vendo os episódios atraídos pela aventura e os efeitos especiais acabam notando que a história vai muito além disso. "Quando era jovem, ficava empolgado com os efeitos especiais e toda a linguagem técnica", conta Nadav Bruchiel, um israelense que viajou exclusivamente para participar da convenção, na intenção de organizar um evento semelhante em seu país. "Mas, agora que sou mais velho, vejo que é um programa muito profundo. Nosso mundo está dividido em estados e nações, enquanto que 'Star Trek' apresenta uma visão global e interplanetária, onde todos vivem e trabalham juntos pela paz", acrescentou.

Novos fãs continuam sendo conquistados através das continuações da obra original, "Star Trek- A Nova Geração", "Star Trek-Deep Space Nine", "Star Trek Voyager" e "Star Trek - Enterprise" e os dez filmes de cinema. E agora a Paramount já está anunciando uma nova investida na franquia milionária, a produção de um longa-metragem previsto para 2008, em que seria contada a história da juventude de Kirk e Spock.

Para escrever e produzir a história foi convidado ninguém menos do que J.J. Abrams, o atual garoto de ouro de Hollywood, responsável por sucessos como "Alias-Codinome Perigo" e a badaladíssima "Lost".


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