UOL Entretenimento Televisão

07/03/2010 - 00h15

Eliete Cigarini considera trabalhar em "A História de Ester" uma oportunidade rara

PopTevê
  • Luiza Dantas/Carta Z Notícias.

    Eliete Cigarini, a judia Rebecca de "A História de Ester", série da Record

Com 25 anos dedicados à carreira de atriz, Eliete Cigarini conta nos dedos as oportunidades televisivas de mergulhar fundo na composição de uma personagem. Exatamente por isso, ela deixa bastante claro o carinho que tem nutrido pelo mais novo trabalho: a sofrida Rebecca de "A História de Ester".

"Fiz muitas novelas, mas tenho poucos papéis em que pude fazer uma construção assim", garante, citando como exceções a carcereira Aracy de "Louca Paixão", exibida pela Record em 1999, e a participação que fez como a misteriosa Raquel de "Carga Pesada", em 2005, na Globo. "Mas nas outras não teve isso. Novela tem essa coisa cotidiana, de você trazer esse universo dos dias de hoje", compara.

Na minissérie, essa pesquisa foi ainda mais intensa. Além das aulas de história das quais participou junto aos colegas de elenco, Eliete também precisou estudar a cultura judaica.

Ao lado do marido Joel e da filha Ana –vividos, respectivamente, por Giuseppe Oristânio e Letícia Colin–, Rebecca faz parte do núcleo dos judeus ortodoxos. "Eles representam o sofrimento desse povo, que tinha sido escravizado por muitos anos e que estava liberto em uma terra que não era deles, sendo tratados com discriminação", explica.

Apesar de não ser mencionado no Livro de Ester, passagem do Velho Testamento em que a trama é baseada, o núcleo foi criado para representar o desejo dessa camada social de retornar à terra prometida. "É quase como um Shangri-lá para eles", brinca a atriz. "Eles só falam nisso. Passam uma vida inteira trabalhando para juntar posses e ir para esse lugar", diz.

Além do cotidiano sofrido no mercado, a vida familiar de Rebecca também carrega uma grande dose de drama. Ela vê a única filha se apaixonar pelo amalequita Aridai, vivido por Paulo Nigro, e filho do grande vilão da trama. Considerados como inimigos mortais dos judeus, os amalequitas são tratados com desprezo por Joel, que não perdoa Ana por se envolver com o desafeto.

"Ele sofre como um louco e fica de mal com a Rebecca, por ela ter escondido o relacionamento", adianta Eliete. Como se não bastasse, a jovem ainda engravida de Aridai antes de ser raptada e levada para o harém que concentra todas as virgens do reino persa – de onde o monarca Assuero, de Marcos Pitombo, escolherá sua nova esposa.

"E aí, ela corre risco de vida e os pais podem perder o único fruto deles. É muito lindo poder trabalhar com essa essência, que é a família", emociona-se.Para garantir naturalidade durante as gravações, os atores passaram cerca de um mês em um processo conhecido como "vivência", utilizando os figurinos e acessórios bem antes das câmaras começarem a trabalhar.

"Fizemos isso para que as relações se estabelecessem e, quando nós fomos para a cena, já tínhamos esse registro. Era impressionante como isso já estava no nosso olhar", impressiona-se Eliete, que não reclamou nem mesmo de enfrentar o calor excessivo que se abateu no Rio de Janeiro durante o período em que a minissérie foi gravada.

"O que ajuda é que o Oriente Médio também é quente, né? O povo usava essa roupa e transpiravam muito sim. Então, não tem essa coisa de ficar retocando a maquiagem. Deixa suar!", brinca ela, que, além das pesadas roupas de época, ainda tinha de lidar com um aplique que alongava seus cabelos.

Por sorte, parte das gravações aconteceu nos modernos estúdios que a emissora construiu na Zona Oeste carioca e nos quais cabe até uma cidade cenográfica. "A Globo já tem isso há algum tempo. Poder ter esses recursos em outra emissora é muito bom", valoriza.

(Por Louise Araujo)

 

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host