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06/07/2009 - 00h55

"Acho que 'Som & Fúria' vai fazer Shakespeare virar um autor popular de novo", torce o diretor Fernando Meirelles

PopTevê

"Loucura, luxúria, tudo isso tem no 'Som & Fúria'". A chamada da próxima minissérie da Globo - que estreia nesta terça, às 22h30 - resume bem e de forma bem-humorada a ideia de mostrar o cotidiano conflituoso, mas ao mesmo tempo divertido, de uma excêntrica companhia teatral.


MINISSÉRIE ABORDA O COTIDIANO DE UMA COMPANHIA TEATRAL

  • Divulgação/TV Globo

    Felipe Camargo, Pedro Paulo Rangel e Andréa Beltrão dividem a cena em "Som & Fúria"

Baseada na série canadense "Slings And Arrows", os 12 capítulos - produzidos em parceria com a O2 Filmes - retratam de maneira inteligente e acessível o dia a dia de uma fictícia trupe de teatro shakespeariana que reside no Teatro Municipal de São Paulo. "Me encanta a possibilidade de apresentar alguns trechos de peças de Shakespeare de uma maneira que tenho certeza que o espectador vai entender", descreve Fernando Meirelles, criador e diretor da versão brasileira da série, gravada no segundo semestre do ano passado em São Paulo.

Com um elenco estelar - composto por Pedro Paulo Rangel, Regina Casé, Andréa Beltrão, Felipe Camargo, Maria Flor, Paulo Betti e Débora Falabella, entre outros -, a produção tem início quando, durante uma montagem de "Hamlet", Dante (Felipe Camargo), no auge de sua carreira como ator, surta e sai correndo do palco. E abandona os amigos da Companhia de Teatro do Estado, como a atriz Elen (Andréa Beltrão), e o diretor Oliveira (Pedro Paulo Rangel). "O Dante é um Hamlet às avessas. Mas, ao contrário do príncipe da Dinamarca, ele não quer vingança, mas sim juntar os pedaços do seu passado e seguir adiante", filosofa Felipe Camargo.

Sete anos se passam e, nesse meio tempo, Dante abre uma pequena companhia teatral: a Sans Argent, expressão francesa que, em português, significa sem dinheiro. Os destinos dos três voltam a se cruzar quando, na noite de abertura de "Sonho de Uma Noite de Verão", Oliveira assiste à televisão e, durante um noticiário, vê Dante sendo despejado de seu teatro por falta de pagamento. Revendo o amigo, decide telefonar para ele. Os dois trocam acusações sobre o destino que cada um tomou depois da trágica apresentação de "Hamlet" e, após a discussão, Oliveira caminha pelo Centro de São Paulo, quando é atropelado por um caminhão de presunto e morre. A partir daí, a vida de Dante sofre uma reviravolta. "Depois que morre, o Oliveira começa a assombrar o teatro e faz uma parceria com o Dante na direção da companhia", adianta Pedro Paulo Rangel, que passa o resto da produção como um fantasma.

Com a morte do amigo, Dante é convidado a assumir a direção artística da Companhia de Teatro do Estado. Lá, ele reencontra Elen, que está em crise por estar envelhecendo e não poder mais interpretar as princesas, mas sim as rainhas, e conhece uma série de jovens atores, entre eles Kátia e Jaques, vividos, respectivamente, por Maria Flor e Daniel Oliveira. "A Elen está em outro patamar. Ela não faz mais a Ofélia, mas sim a Gertrudes. O pânico dela é virar a ama daqui a alguns anos", brinca Andréa Beltrão, confessando que a minissérie retrata bem os bastidores do teatro e, principalmente, os anseios dos atores. "É claro que tem um brilhozinho a mais. Mas é bem fiel ao nosso dia a dia. Tanto que me sentia como se estivesse no meu teatro", reconhece.

Na outra ponta da história, estão Ricardo e Graça, personagens vividos, respectivamente, por Dan Stulbach e Regina Casé. Enquanto ele é o ingênuo diretor financeiro da companhia, ela é a maquiavélica funcionária recém-nomeada pela Secretaria de Cultura para o teatro. Completamente avessa às obras de Shakespeare, a dupla só quer atrair plateia e patrocinador para a companhia. Essa é outra questão, aliás, que a minissérie traz à tona: até que ponto se deve alavancar a bilheteria de um teatro. "Acho que 'Som & Fúria' vai fazer Shakespeare virar um autor popular de novo. Essa é a minha expectativa", torce Fernando Meirelles, que assina a direção da minissérie ao lado de Toniko Melo, Gisele Barroco, Fabrízia Pinto e Rodrigo Meirelles.

Quem é quem em "Som & Fúria"

Dante (Felipe Camargo) - Representa o artista por excelência: apaixonado, talentoso, dramático e "meio louco". Durante a montagem de um "Hamlet", pira e sai correndo do palco. Depois de algum tempo de internação psiquiátrica, vira diretor de uma pequena e falida companhia de teatro alternativo: a Sans Argent.

Oliveira Welles (Pedro Paulo Rangel) - Diretor da Companhia de Teatro do Estado há mais de dez anos. Inteligente e sarcástico, tem muito prestígio no meio artístico. Ultimamente, porém, sua criatividade vem se esgotando. Tem saudade do tempo em que trabalhava com Dante, cujo auge aconteceu na montagem de "Hamlet".

Elen (Andréa Beltrão) - É a grande dama da Companhia de Teatro do Estado. Vive em crise por estar envelhecendo. Acostumada a interpretar a Ofélia de "Hamlet", agora faz a rainha na mesma peça. Viveu um romance apaixonado com Dante no passado, mas ele a abandonou pois acreditava que ela e Oliveira tinham um caso. Hoje namora garotões cada vez mais jovens.

Ricardo da Silva (Dan Stulbach) - É o diretor financeiro da Companhia de Teatro do Estado. Ambicioso, tenta tornar a arte lucrativa e mais popular e, por isso, vive em conflito com Dante e o resto dos artistas.

Ana (Cecília Homem de Melo) - É a vice-secretária-geral da companhia. Eficiente, porém muito tímida, vive às voltas com os conflitos entre artistas e produtores.

Graça (Regina Casé) - Funcionária recém-nomeada pela Secretaria de Cultura do Estado, usa toda a sua autoridade e poder para tentar colocar Ricardo como diretor do teatro. É que os dois planejam transformar o lugar em uma moderna empresa de musicais.

Kátia (Maria Flor) - Atriz iniciante, talentosa e idealista, tem sua primeira grande chance de viver um papel de destaque quando a atriz escalada para o papel de Ofélia na nova montagem sofre um acidente. Vive um romance com Jaques.

Jaques Maya (Daniel Oliveira) - Ator que veio da televisão para fazer "Hamlet" dentro da política para alavancar a bilheteria do teatro, sofre preconceito dos atores mais velhos. Se apaixona por Kátia e, surpreendentemente, se mostra um ótimo ator em cena.

Sanjay (Rodrigo Santoro) - Apresenta-se como um badalado publicitário. Isso porque tem um método polêmico e provocador de trabalho, o que ocasiona impacto na mídia. Mas, ao final, se revela um grande picareta.

Oberon (Paulo Betti) - Antigo ator da companhia, já acomodado em seus papéis, representa Rei Cláudio na montagem inicial de "Hamlet". Inicialmente, desafia a direção de Dante. Mais tarde, porém, revê sua posição e o apoia.

Sarah (Débora Falabella) - Jovem e talentosa atriz, é convidada a integrar a Companhia de Teatro do Estado para desempenhar o papel de Julieta. Tem um confronto inicial com o diretor Oswald Thomas, já que discorda frontalmente da concepção que ele pretende dar à peça.

Clara (Maria Helena Chira) - Jovem atriz completamente desprovida de talento. Só faz parte da Companhia de Teatro do Estado por imposição política do titular da pasta do Secretário de Cultura do Estado. Faz contraponto à graça e sensibilidade natural de sua "stand-in" Kátia.

Kleber (Juliano Cazarré) - Motoqueiro, trabalha em serviço de entregas e nas horas vagas participa de competições. Tem uma relação com a diva da companhia.

Naum (Gero Camilo) - Funcionário humilde do Teatro Municipal, é amigo e conselheiro de todos os atores e diretores da companhia. Conhece todos os clássicos e vive e respira teatro durante toda a vida.

Patrick (Leonardo Miggiorin) - Jovem ator da companhia, é escalado para interpretar Romeu. É gay assumido e acaba surpreendendo a si próprio ao se deixar envolver pela atriz Sarah, que vive Julieta. A força da peça os faz reinventar a relação apaixonada dos amantes de Verona.

Oswald Thomas (Antonio Fragoso) - Diretor polêmico, vê a direção teatral como show de efeitos especiais. Acaba se rendendo à vitalidade dos personagens e reencontra a essência proposta pelo teatro de Shakespeare.

Milu Silverstone (Haydée Bittencourt) - Curadora da companhia do Teatro Municipal, luta bravamente contra a visão mercantilista que a direção executiva quer imprimir à companhia teatral. Tenta preservar o espírito dos clássicos e acaba sucumbindo fisicamente nessa luta de poderes.

(Por Carla Neves)

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