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02/05/2008 - 17h16
Diretora diz que "Ciranda de Pedra" não é "só água-com-açúcar"

Do PopTevê

Divulgação

Laura teve sua filha Virgína com o médico Daniel

Laura teve sua filha Virgína com o médico Daniel

O ano é de 1958 e o Brasil passa por uma série de reviravoltas políticas, econômicas e culturais. A cidade de São Paulo cresce a olhos vistos, firmando-se como uma das maiores metrópoles do mundo. As mulheres, cada vez mais, desvencilham-se de velhos valores morais e conquistam espaço na sociedade.

É nesse pano de fundo que se desenrola "Ciranda de Pedra", nova novela das seis da Globo que nesta segunda (5). De Alcides Nogueira, a trama é a segunda versão --a primeira foi exibida pela Globo em 1981-- do livro homônimo de Lygia Fagundes Telles, e a direção é de Denise Saraceni. "É uma narrativa mais linear, precisa, o que torna a novela fácil de assistir. Mas há momentos de densidade, porque só água-com-açúcar não dá", explica a diretora.

Quando a história começa, Laura, personagem de Ana Paula Arósio, está internada há seis meses em uma casa de repouso, pois seu marido, o advogado Natércio, vilão interpretado por Daniel Dantas, a julga fora de suas faculdades mentais. Quando volta à mansão da família, Laura é novamente submetida à tortura do companheiro, que usa as filhas Bruna (Anna Sophia Folch), Otávia (Ariela Massoti) e Virgínia (Tammy Di Calafiori) para chantagear a mulher --que, diga-se de passagem, mais parece irmã das filhas.

"Imagino que ela tenha começado a sofrer de algum distúrbio emocional por causa da insatisfação no casamento. Mas isso se agrava pela falta de cuidados do marido com ela", arrisca Ana Paula. As coisas se complicam quando ela volta a receber os cuidados médicos de Daniel, médico interpretado por Marcello Antony com quem teve a filha caçula, Virgínia.

Possesso, Natércio persegue o casal de tal forma que Laura abre mão de seu casamento de aparências e vai viver modestamente, em um sobrado, com Daniel. "Ele ama a Laura, mas não sabe lidar com isso. Mas o fato dele ser um vilão não significa que ele seja um monstro. Tomara que as pessoas adorem me odiar", defende Daniel Dantas, sobre seu primeiro vilão em 30 anos de carreira.

Humor

Dramalhões à parte, a história também deverá ser permeada por boas tiradas cômicas. Elzinha, moça que se autodefine como "biscoito fino" vivida por Leandra Leal, promete render risadas com sua fama de namoradeira e a incapacidade de durar mais de uma semana no mesmo emprego. "Ela tem uma auto-estima elevadíssima. Para ela, o amor vem com dinheiro", diverte-se a atriz, cuja personagem será o contraponto da irmã, Margarida, mocinha doce e romântica vivida por Cléo Pires. Já nos primeiros capítulos, ela se apaixona por Eduardo, galã de Bruno Gagliasso. "Mas o amor deles dura pouco, já que ele se apaixona por Virgínia", adianta Bruno.

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Tammy de Calafiori, que interpreta a sofredora Virgínia, é um dos novos rostos do elenco

Do elenco da primeira versão da trama, repetem-se apenas dois atores: José Augusto Branco, como Silvério, e Mônica Torres, na pele de Julieta --em 1981 ela viveu Letícia, que agora fica a cargo de Paola Oliveira. A tenista, aliás, vivia conflitos com sua sexualidade na época. "Ela tinha tendências homossexuais, houve um 'bafafá', mas isso não se repete desta vez", explica Mônica. "Só sei que, por enquanto, meu par romântico é a raquete", brinca Paola.

Vários nomes pouco conhecidos do público da Globo compõem o elenco. Um bom exemplo são as jovens protagonistas, Ariela Massoti, a heroína de "Alta Estação", da Record, e Anna Sophia Folch, a mocinha de "Paixões Proibidas", da Band. Virgínia, a mais sofredora das irmãs, é interpretada por Tammy de Calafiori, que traz no currículo televisivo apenas uma participação em "Alma Gêmea". "Antes, estremecia de entrar na Globo. Agora, chego na portaria, falo 'oi' para a estátua do Dr. Roberto Marinho e agradeço a oportunidade", conta Anna Sophia.

Para Alcides Nogueira, tal "renovação" em uma fase em que é notória a dificuldade de escalação de elenco é um grande trunfo. "Escolhemos cada um a dedo", diz. "É ótimo ver gente nova. É uma forma de não entrar no estúdio no 'automático'", completa Denise, adiantando que pretende superar os 29 pontos de audiência deixados por "Desejo Proibido". "'Ciranda' vem na época da briga do 'Q' de qualidade. Estamos apostando todas as fichas", encerra.

(por Fabíola Tavernard)





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