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07/09/2006 - 15h15

"Acho que estou representando muitos homens e mulheres desse país", diz Marcos Caruso; leia entrevista

Do PopTevê
  • Marcos Caruso interpreta Alex em <i>Páginas da Vida</i>

    Marcos Caruso interpreta Alex em Páginas da Vida

A primeira cena que fez com Fernanda Vasconcellos em "Páginas da Vida" deixou Marcos Caruso apreensivo. Alex reencontraria a filha Nanda, depois de ela ter passado uma temporada fora do país. O ator tinha consciência da carga dramática daquele encontro, que se daria no aeroporto. Na hora do ensaio, evitou os olhos da atriz. "Não queria desgastar a emoção necessária àquele reencontro", justifica.

Na hora em que Fernanda apareceu no saguão, os dois foram tomados pela comoção. "O mundo parou à nossa volta. Nós nos olhamos e foi tão intenso, que ficamos horas ali. Era realmente o pai e a filha. Tenho muito que agradecer a essa menina", diz.

Comoção, aliás, parece ser a palavra que resume toda a abordagem que Caruso tem recebido do público. Outro dia, um homem lhe deu os pêsames na praia. "A maioria, porém, vem dar os parabéns. Eu noto uma emoção forte no olhar. Acho que estou representando muitos homens e mulheres desse país", afirma.

Para o ator, Alex está muito próximo do público por ser extremamente humano. "Ele conjuga o verbo ser o tempo todo. É um homem que passa por complicações, mas segue em frente sem remoê-las", define. Para Caruso, está justamente aí a dificuldade em fazer Alex. Com farta experiência em trabalhos cômicos fora da TV, o ator procura seguir o texto de Maneco à risca. "Obviamente, tem meu filtro de ator, mas não posso pesar. Ele é um homem comum e estou encontrando muitos Alex por aí", explica.

O trabalho, que já no início pode ser considerado vitorioso, tem um gosto a mais. Após anos de "namoro", Caruso e Lilia Cabral, que vive a perversa Marta, se encontram em cena. "Foi uma surpresa incrível. Nós dois temos o humor no DNA e estamos representando todo esse drama, com tamanha densidade. Eu só tenho que comemorar", diz empolgado.

O Alex é o contraponto de Marta o tempo inteiro. Não dá a impressão que esse homem vai explodir a qualquer momento?

Eu vejo que o Alex conjuga o verbo ser, enquanto ela conjuga o ter. Ele é subjetivo, emocional. Ela é pragmática e racional. São opostos que se complementam. Um precisa do outro para alimentar a própria vivência. Ela precisa de alguém que obedeça, e ele, de alguém que mande. E por mais que a gente olhe e diga "isso não dá certo", para eles, conforme decidiram, dá. E esse casal, logicamente guardada as devidas proporções de um folhetim, é parecido com muitos outros casais que estão por aí. Quantas vezes a gente se pergunta como fulana pode estar com beltrano?

A carga dramática desse personagem é muito grande. Tem sido extenuante de alguma forma?

Sim. Às vezes saio cansadíssimo de cena. É muita emoção, interpretação que vem do gestual, do olhar. Eu jamais poderia fazer o que a Lilia está fazendo, por exemplo. Tenho uma enorme dificuldade. É incrível o trabalho dela. Mas eu, por outro lado, tenho muito de Alex. De alguma forma, também conjugo o verbo ser, nesse mundo doido. Procuro ajudar as pessoas, e isso não é querer dizer "olha como sou bonzinho!".
Você vê a Marta como uma vilã ou também acha que todos têm seu "dia de Marta"?

A Marta não é uma vilã clássica, que mata criancinhas para ganhar dinheiro. As pessoas não sentem ódio por ela, mas indignação. E acho que isso é muito mérito da Lilia, que conferiu à personagem um olhar desesperançoso, infeliz. E as pessoas mal amadas são capazes de fazer muito mal aos outros e a elas mesmas. São sempre muito endurecidas.

Você é escritor e diretor. Sua peça "Trair e Coçar", há 21 aos em cartaz, acaba de virar filme, com roteiro seu. Não tem vontade de escrever uma novela?

O Silvio de Abreu já me convidou três vezes. Disse que uma quarta vez não convida. Eu acho que minha profissão me dá um leque grande de opções. Se fosse apenas autor, e sei que escrevo bem e por isso faria um bom trabalho, acho que me acomodaria numa situação confortável. A necessidade é mãe da criatividade. Não aceitar um contrato desses é a minha maneira de buscar novidades.

(Carolina Marques)
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