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05/08/2005 - 17h57

Michês vão virar a cabeça de Vera Holtz em "Belíssima"; leia a entrevista

ELLEN SOARES
Especial para o UOL, do Rio
  • Vera Holtz exibe o visual de sua personagem na novela <i>Belíssima</b>

    Vera Holtz exibe o visual de sua personagem na novela Belíssima

Em novembro, Vera Holtz vai voltar ao horário nobre. A atriz foi escalada para entrar na novela "Belíssima", de Silvio de Abreu, para viver Ornela, uma mulher de meia-idade, rica, que aprecia as boas coisas da vida e, principalmente, a companhia de jovens e belos garotos... de programa!.

Famosa por seu bom humor, a atriz fala sobre sua personagem sem preconceitos e explica que não existe nada de doentio na relação de Ornela com seus garotões. "É só uma curtição. Ela só quer ter um companheiro disponível, bonito, gostoso e que a agrade. Ela aprecia o cheirinho do novo... e quem não gosta?", brinca.

A história de Ornela com seus michês é um dos carros-chefes da próxima novela das 21h, prevista para estrear na Globo no dia 7 de novembro. Além de Vera Holtz, Fernanda Montenegro, Glória Pires, Tony Ramos e Claudia Raia também estão confirmados no elenco e, assim como Vera, estão em processo de composição de seus personagem.

Neste domingo (7), Vera Holtz completa completa 52 anos com um fôlego de dar inveja à qualquer garotona: acaba de reestrear o espetáculo "Intimidade Indecente", em São Paulo, está em cartaz nos cinemas com o filme "Bendito Fruto" (Sérgio Goldenberg, 2005) e se prepara para mais um desafio no horário nobre (o último foi a alcoólatra Santana, de "Mulheres Apaixonadas").

DE CORPO E ALMA

Embalada por "Belíssima", Vera Holtz mudou o visual, já participou de reuniões, leituras e workshops. "Estou achando tudo bárbaro. É um elenco sensacional, como nunca vi igual. Tudo tem sido harmonioso e calmo. Tive a sensação de que a gente vai ter uma novela bem gostosa pela frente", revelou com exclusividade para UOL Televisão. Leia a seguir trechos da entrevista:

Você já começou a se preparar para viver a Ornela, de "Belíssima"?
Vera Holtz - Comecei a fazer um regime para emagrecer mas já engordei de novo e não adiantou muito. Então decidi ficar do jeito que estou mesmo, acertamos as roupas e tudo bem. Eu poderia ter tido mais tempo para cuidar disso, mas, por conta da peça, a Ornela ainda está meio embrionária. Minha personagem no teatro tem que ter pneu (gordura na barriga), é maiorzona, velha e tem peso. É outra mulher! Por isso, vou começar com o esboço de Ornela nas gravações de festas que serão feitas em agosto (SP) e em setembro.

O que mudou no seu visual?
VH - Alonguei os cabelos. O processo de colagem das mechas leva de uma a duas horas para ficar pronto. Também mexi na cor, que estava um pouco avermelhada.

Foi muito trabalhoso?
VH - Demais! Todo o processo durou das 9h às 20h da noite. Só depois de já ter passado por uns nove processos de tintura eles encontraram o tom que queriam e começaram a fazer luzes (mexas mais claras). A princípio ele vai ficar comprido e com essa tonalidade alourada.

Além de roupas sofisticadas, você pretende usar algum acessório marcante?
VH - Talvez, eu tenha a pele um pouco mais bronzeada como a maioria das mulheres da novela. E usarei unhas maiores (postiças), com tom de ameixa.

Quem é a Ornela?
VH - Ainda não sabemos muita coisa, até porque o Silvio (de Abreu, autor) não abre muito a caixinha de surpresas dele. Mas ela é uma herdeira rica e não tem grandes problemas com dinheiro. É amicíssima da Bia Falcão (Fernanda Montenegro) e adora sair com a garotada e contratar michês. Um dos seus garotos de programa será Mateus, vivido por Cauã Reymond.

O que une Ornela e Bia Falcão?
VH - Acho que a exuberância da Ornela encanta a Bia. Ela sabe se vestir, tem bom gosto e lembra Stella, sua filha falecida, que era muito bela e chique. Além disso, Ornela tem especificamente uma natureza alegre e de bem com a vida. Não tem família: só a amiga e os garotões.

O que a Ornela busca se envolvendo com os jovens?
VH - Frescor. Ela busca satisfazer seus desejos (libido). É equivalente a uma parceira jovem para um homem mais velho.

O que acha da relação de coroas com garotões?
VH - Acho totalmente normal! Tem um ditado que diz: pra cavalo velho, o remédio é capim novo. É ótimo isso, uma coisa mais de leve, tenra e digerível.

Como é entrar na onda de uma personagem assim?
VH - Você tem de estar disponível e dar uma suspensão em si mesma. Mas, como Ornela é pra cima e bem humorada, tem mais a ver comigo.

É duro para você fazer a linha sofisticada?
VH - Isso pra mim já é mais complicado, porque sou chegada numa coisa mais tranqüila nesse aspecto. Vou ter de chegar mais cedo, fazer escova nos cabelos, maquiagem e todo um ritual. Mas meu estado de alma está preparado para isso.

Divulgação
"Minhas personagens não são chapadas. Elas podem ser admiradas por vários ângulos"
Como é o seu processo de composição de uma personagem?
VH - Faço um trabalho orgânico, vem de dentro. Procuro fazer sempre uma personagem muito humanizada e, obviamente, a mais multifacetada possível. Minhas personagens não são chapadas, elas têm muitos olhos --são verticais-- têm leitura de profundidade. E podem ser admiradas por vários ângulos.

O que fascina você na arte de representar?
VH - Eu gosto da diversidade e das descobertas porque, no processo de trabalho, a gente vai descobrindo a vida. A interpretação é a minha desculpa como artista, onde realmente me sinto plena para a criação. Esse exercício acaba dando uma elasticidade na nossa própria personalidade.

Como é a sua relação com a televisão (novela)?
VH - O teatro é meu laboratório. E, para mim, o processo de televisão é uma grande diversão: gosto das pessoas, da loucura das gravações, trabalhar na diversidade (cenas dramática com estúdio cheio de gente). Gosto muito disso e sei trabalhar dessa forma: na dispersão. Nem todos pensam assim, mas eu sou bagunceira demais. É quase relaxante para mim fazer televisão. A minha relação com a televisão é apaixonada, lúdica, quase infantil. Curto demais.

Como é a sua relação com os fãs?
VH - Gosto bastante da relação com o ser humano e acho que o artista tem de ir aonde o povo está. Outro dia estive na Feira de São Cristóvão (RJ) e todo mundo que estava na feira me tirou pra dançar. Foi uma noite agradabilíssima pra mim. Foi ótimo.

Foi difícil ser a carrancuda Generosa ("Cabocla"), tão oposta a sua natureza leve e bem humorada?
VH - Ela era chata, amarga e brava pra burro. E não tinha humor nenhum. Mas isso é bom para temperar um pouco a vida. Você faz uns personagens distantes, depois vem um próximo e depois outro que é quase semelhante a você.

ENCONTROU, BATEU

É possível um relacionamento verdadeiro com pessoas de gerações diferentes?
VH - Sim, só é preciso que haja identidade mútua. Hoje em dia o jovem está mais livre nesse sentido. A gente vê muito namoro de jovens com pessoas mais velhas: encontrou, bateu. A relação mudou, o mistério está com outra idade e, muitas vezes, os jovens acabam sendo surpreendidos desejando uma mulher mais velha por curiosidade.

As pessoas estão mais abertas a relacionamentos, no entanto, acabam não encontrando a cara metade. Por quê?
VH - Eu acho que é por tentar repetir um modelo de comportamento. A própria expectativa de união é um pouco assustadora hoje. O casamento requer casa própria, divisão de grana, espaço... Além disso a possibilidade de filhos assusta muito porque custa caro. Toda essa expectativa de seguir um "modelão" já conhecido afasta mais que une. Talvez fosse mais interessante descobrir e tentar criar o seu próprio ideal de relacionamento.

Nunca desejou um casamento formal com filhos?
VH - Não. Nunca acreditei nesses "modelões" de casamento. Desde pequena sempre fui muito livre. Não quis casar e nem ter filhos. Como ia sustentar, na época, um filho sendo atriz? Escolhi ser atriz, essa é a minha profissão.

Como é viver um relacionamento anticonvencional?
VH: Fernando Guimarães é professor e artista plástico, entre outras coisas. Já estamos juntos há cinco anos e meio e nosso relacionamento é totalmente anticonvencional, inclusive moramos em estados diferentes. Não sei hoje se me acostumaria com uma pessoa a meu lado 24h por dia... Não acredito. Não sei o que seria a próxima jogada desse relacionamento, porque chega uma hora que, quando você fica muito tempo longe, a intimidade também é abalada.

Divulgação
Vera Holtz e Marcos Caruso na peça "Intimidade Indecente"
INTIMIDADE INDECENTE

Como foi substituir Irene Ravache no espetáculo "Intimidade Indecente"?
VH - Comecei a trabalhar em janeiro deste ano muito cautelosamente. A peça já era um sucesso, só que a Irene estava um pouco cansada e queria parar. Então pensei: vou entrar com calma, ter paciência e compaixão de mim mesma. Não dá para entrar num trabalho como esse que está todo certo e querer acertar de cara. Entrei devagarinho, com tranqüilidade e respeito pelo trabalho e obviamente pelo meu processo. Cuidei muito de minha sensibilidade.

Qual é a temática da peça "Intimidade Indecente" (Leilah Assumpção)?
VH - A peça aborda o envelhecer: um casal se encontra aos 20, se separa aos 50 e se reencontra aos 60, 70 e 80 anos. É o envelhecer juntos. Embora não continuem morando juntos, o relacionamento permanece.

Até quando "Intimidade Indecente" fica em São Paulo?
VH - Durante o mês de agosto vamos ficar em Sampa no Teatro Sérgio Cardoso (de sexta a domingo). Em setembro a peça viaja para Sorocaba (interior de SP) e duas outras cidades. Depois encerramos a temporada em 25 de setembro no Festival do Uruguai para que eu possa me dedicar a "Belíssima".

Existe a "Intimidade Indecente" (título da peça)?
VH - Acho que sim! É quando você conhece tanto o outro que tudo fica um pouco permitido. Ou então quando você agride o outro pela intimidade.
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