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14/04/2005 - 14h48
TV alemã é a primeira a apresentar "Vila Big Brother", novo formato da Endemol

MANOELA PEREIRA
em Cannes, França


Imagine que em vez de ficarem confinados numa única mansão, os 14 participantes do "Big Brother Brasil" tivessem de passar uma longa temporada em uma cidade cenográfica, com aparência e infra-estrutura de vilarejo: rua iluminada, praça com jardins e bancos, diferentes tipos de casas, loja, oficina mecânica, academia de ginástica, animais soltos... Pois esta "realidade", que no Brasil ainda não tem previsão de ser produzida, é a maior aposta da Endemol para o mercado europeu.

Durante o MIPTV-MILIA, maior feira de conteúdo televisivo da Europa, que termina nesta sexta-feira (15), em Cannes, "Big Brother - The Village" ("Vila Big Brother") ganhou espaço diferenciado no nicho da produtora holandesa, que ficou conhecida depois de exportar para o mundo o formato que desencadeou a febre dos "reality shows".

E muito mais que um mero projeto de holandeses criativos, "Big Brother - The Village" já saiu do papel: o programa estreou há cerca de um mês no canal alemão RTL2 e, segundo representantes da Endemol no MIPTV, tem tido uma ótima (e já esperada!) aceitação por parte da audiência local.

LUTA DE CLASSES

"Big Brother Das Dorf", a versão alemã do "Vila", também quer testar a resistência de participantes que não se conhecem, através de uma convivência forçada. O novo modelo, no entanto, acrescenta à formula alguns ingredientes que fazem com que essa temporada no programa não seja tão "gostosa".

O novo "reality show" dura 12 meses e, logo que entram no vilarejo, os 16 participantes são divididos em três grupos, que também determinam suas classes socias: os "helpers" (trabalhadores), os "assistants" (assistentes) e os "bosses" (chefes). Isso significa que parte dos "brothers" alemães terá de dar duro para conquistar uma vida mais confortável dentro do confinamento.

O trabalho no vilarejo é obrigatório e os participantes exercem funções que correspondem aos grupos socias ao qual pertecem. Há três locais de trabalho na vila: a fazenda, a oficina mecânica e o ateliê de moda; cada um desses "empreendimentos" tem um chefe, dois assistentes e dois trabalhadores.

Para garantir isolamento total dos participantes, um vilarejo fictício de 5.000 metros quadrados foi construído bem longe da metrópole, numa região próxima à cidade de Colônia, no noroeste da Alemanha. O sucesso do "reality show" chega a ser tão grande que o canal de TV vende ingressos para quem quiser participar do programa ao vivo, dentro do vilarejo, no dia da eliminação.

FENÔMENO

Mesmo com o inegável sucesso, é provável que a Alemanha não sirva de exemplo para a maioria dos mais de 30 países que já se renderam ao formato "Big Brother".

Considerados "fãs ousados" do "reality show", os alemães estão na sexta edição do programa e, antes mesmo de apostar no "Big Brother Das Dorf", o canal RTL2 chegou a exibir uma edição longa, com um ano de duração --a edição convencional dura no máximo 100 dias. Na ocasião, o vencedor levou pra casa 1 milhão de euros (aproximadamente R$ 4 milhões), ou seja, um prêmio quatro vezes maior que a bolada que o professor Jean Wyllys faturou na última edição do "Big Brother" brasileiro. Haja folego!




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