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29/07/2011 - 09h00

Juliano Cazarré diz que assistiu à TV Câmara para compor o pilantra Ismael em "Insensato Coração"

FÁBIA OLIVEIRA
Do UOL, no Rio

Juliano Cazarré, de 31 anos, já fez 14 filmes em sua carreira, entre eles "Tropa de Elite" e "Bruna Surfistinha". Mas foi com o pilantra Ismael, de "Insensato Coração", que o ator passou a ser conhecido pelo grande público. Para compor o bandido, que se uniu a Norma (Glória Pires) e mesmo ganhando um bom salário da ricaça e ainda tira dinheiro de Eunice (Deborah Evelyn), o ator afirma ter se inspirado nos políticos brasileiros. "Assisti à TV Câmara e à TV Senado. E passei a falar segundo manda a cartilha do MEC", afirma.

Nos próximos capítulos da novela das nove, ele vai inventar que seu filho precisa de um transplante de fígado e vai pedir uma "contribuição" maior a Eunice. Tocada, ela consegue um cheque no valor de R$ 3 mil do fundo da Liga das Mulheres, da qual é diretora, e entrega ao amante. Embora apareça sempre sem camisa nessas cenas, Juliano assegura que não tem recebido muitas cantadas nas ruas. "Não saio para baladas. Ou, quando saio, vou com minha mulher. Muitas pessoas me pedem para tirar uma foto, ou encomendam um soco no Léo [Gabriel Braga Nunes], um beijo na madame...", diverte-se.

Juliano diz que sempre é dirigido por Dennis Carvalho, marido de Deborah Evelyn, nas cenas em que Ismael transa com Eunice. "Ele é o que mais ri, é quem acha mais graça. Por isso, sempre é tranquilo. E ele me dá muita liberdade para criar, propor cacos...", lembra. A seguir, uma entrevista exclusiva com o Ismael de "Insensato Coração".

UOL - Como surgiu o convite para fazer o Ismael?
Juliano Cazarré -
  Eu estava fazendo o filme "A Febre do Rato" em Pernambuco, quando o produtor André Reis da Globo me ligou e ofereceu o papel.

UOL - Quando você aceitou o convite já sabia que seu personagem poderia crescer?
Juliano Cazarré -
Na época do convite, tudo já estava planejado: o começo discreto, a prisão, depois a volta como capanga da Norma e o caso com a Eunice. Eu só não sabia que espaço eu teria  nisso tudo. Confesso que fiquei positivamente surpreso. Muito feliz com a repercussão do Ismael.

UOL - Como está sendo a repercussão nas ruas? Tem levado muita cantada?
Juliano Cazarré -
Não levo muita cantada, até porque não saio para baladas. Ou, quando saio, vou com minha mulher. Muitas pessoas me pedem para tirar uma foto, ou encomendam um soco no Léo, um beijo na madame... [risos]
 
UOL - Você é casado. Como sua mulher reage ao assédio feminino?
Juliano Cazarré -
Não posso falar sobre a minha mulher, né? Essa é a intimidade dela. Mas ela é uma pessoa inteligente, tranquila. Ela confia em mim e não se abala com isso não...

UOL - Nas cenas de Ismael com Eunice, ele sempre aparece sem camisa. Você foi alertado para intensificar a malhação por causa do personagem?
Juliano Cazarré -
Não. Não mudei em nada minha rotina nem minha alimentação. Continuo com a cerveja, o vinho, a pizza, o churrasco... Claro, em quantidades razoáveis. Continuo me exercitando como sempre fiz na vida, nem mais, nem menos. Me preocupo mais com a saúde do que com a aparência.

UOL - O que faz para manter a forma?
Juliano Cazarré -
Hoje em dia corro e malho em uma academia no Recreio. Mas já fiz quase tudo que é esporte na vida, de lutas a escalada, e muita natação.

UOL - Como você vê a dobradinha Ismael e Eunice?
Juliano Cazarré -
É uma delícia gravar com a Deborah. A gente se dá muito bem e se diverte demais trabalhando. Acho que tudo isso acaba passando para o público. O grande mérito ali, na minha opinião, é do Ricardo Linhares e do Gilberto Braga, os roteiristas. O nosso texto é tão bom, que o trabalho fica prazeroso e o público adora!

UOL - Você já fez cenas sensuais com a Deborah Evelyn sendo dirigido pelo marido dela, o Dennis Carvalho? Como foi?
Juliano Cazarré -
Já. Na verdade, todas as cenas com ela foi o Dennis que dirigiu. Ele é o que mais ri, é quem acha mais graça. Por isso, sempre é tranquilo. E ele me dá muita liberdade para criar, propor cacos... É um diretor generoso, além de ser muito eficiente e rápido no estúdio.

UOL - O Ismael vai inventar para a Eunice que o filho precisa de um transplante de fígado e ela vai pegar R$ 3 mil da Liga das Mulheres e dar para o Ismael. Como você analisa as atitudes de seu personagem?
Juliano Cazarré -
O Ismael é um bandido. Extorque as mulheres, já roubou, já matou. Não é um exemplo.

UOL - Você se inspirou em alguém para fazer o Ismael?
Juliano Cazarré -
Nos políticos brasileiros que, quando chegam ao poder, se aproveitam de qualquer chance para levar vantagem. E ao mesmo tempo são carismáticos, simpáticos...

UOL - Você considera Ismael um vilão? Ou é uma vítima da sociedade, que não dá oportunidade para ex-presidiários?
Juliano Cazarré - O Ismael é um bandido, um cara que rouba, trapaceia, mata. Saiu da cadeia e voltou pro erro. Ele não é vítima, ele faz vítimas. É o tipo de gente que o Brasil não precisa...

UOL - Você fez algum tipo de laboratório para interpretar o Ismael?
Juliano Cazarré -
Assisti à TV Câmara e à TV Senado. E passei a falar segundo manda a cartilha do MEC.  
 
UOL - Recentemente você foi fotografado com a família em um shopping. Fala um pouco sobre a sua família.
Juliano Cazarré -
A família mora junto. Tenho um filho, chamado Vicente que é uma graça. Ele está com 1 ano e 5 meses.
 
UOL - Vicente assiste a novela “Insensato Coração”? O que acha do comportamento do pai na TV?
Juliano Cazarré -
Ele ainda não se dá conta de nada disso. Na maioria dos dias ele dorme antes da novela.

UOL - Você nasceu em Pelotas e se mudou para São Paulo em 2007. Você se mudou por causa do trabalho?
Juliano Cazarré -
Fui criado em Brasília, onde estudei Artes Cênicas na UnB. Quando me formei, eu já estava entrando no mundo do cinema. No seriado "Alice" eu tive a chance de ir para São Paulo e não duvidei. Fui para lá porque o mercado para atores em Brasília é muito fraco, com poucas chances e pouca grana. Mas morro de saudade da família, dos amigos e da qualidade de vida que a capital do Brasil oferece. Eu amo o cerrado.
 
UOL - Você fez muitos filmes, incluindo os sucessos "Tropa de Elite" e "Bruna Surfistinha". Como começou sua carreira no cinema?
Juliano Cazarré -
Eu fiz catorze filmes. O primeiro foi "A Concepção", de José Eduardo Belmonte, um grande diretor, que na época morava em Brasília. É um filmaço, louco, rebelde, polêmico. Convido todo mundo a alugar em DVD, é um dos meus melhores trabalhos e abriu todas as portas para a minha carreira.
 
UOL - Você prefere fazer cinema ou TV?
Juliano Cazarré -
Adoro trabalhar como ator, na TV no cinema ou no teatro. Tanto faz. Se o personagem é bacana, desafiador, eu estou feliz em qualquer lugar.

UOL - Que final você gostaria que o Ismael tivesse em “Insensato Coração”?
Juliano Cazarré -
Queria que ele matasse o Léo [Gabriel Braga Nunes] e fugisse com a Norma para o México. Ismael e Norma teriam dois filhos, Irineo e Carlos Rubens, e adotariam uma menina que se chamaria Guadalupe. O Ismael comeria tacos e beberia tequila, teria uma grande barriga redonda e a Norma se dedicaria à pintura, mas passaria a assinar seu quadros com o pseudônimo Maria de Fátima.

UOL - Como você vê a relação dele com a Norma? Por que ele não tenta tirar dinheiro de Norma, que é muito mais rica do que Eunice?
Juliano Cazarré -
A Norma já paga R$ 3 mil de salário ao Ismael. O dinheiro que ele pega da Eunice é para complementar a renda. É uma maneira de unir o útil ao agradável.
 
UOL - O que você vai fazer quando “Insensato Coração” terminar? Já tem novos projetos em mente?
Juliano Cazarré -
Não, por enquanto não tenho nada. Quero terminar bem a novela e me despedir em grande estilo do Ismael, personagem que nunca esquecerei.

UOL - Como começou sua carreira de ator?
Juliano Cazarré -
Em 1999 fui estudar Artes Cênicas na Universidade de Brasília. Aí fiz bastante teatro profissional já durante o curso e a partir de 2006 comecei a fazer cinema pra caramba.

UOL - Recentemente, você fez um ensaio nu para o Diego Bresani. Vi que a iniciativa partiu de você. Era um desejo seu posar nu?
Juliano Cazarré -
Não tenho mais nada a falar sobre essas fotos. Elas falam por si. Inclusive, no blog do Diego tem um texto antes do ensaio. Recomendo a leitura.

 

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