Na TV, Marina faz pingue-pongue com eleitores para rebater Dilma

SÃO PAULO (Reuters) - A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, usou seu tempo no horário eleitoral obrigatório na TV nesta quinta para rebater os ataques que tem sofrido da campanha à reeleição da petista Dilma Rousseff e optou por um "pingue-pongue" com eleitores para responder às críticas.

O programa da candidata do PSB começou lembrando os ataques que ela tem sofrido da presidente e disse que, apesar disso, o diálogo de Marina "é com o povo". A partir daí, eleitores apareceram questionando a candidata sobre seus projetos para a exploração do petróleo na camada pré-sal, a autonomia do Banco Central, educação e de onde virão os recursos para cumprir promessas de campanha.

"A autonomia do Banco Central é para nomear técnicos competentes, definir as metas que eles devem alcançar e garantir que eles trabalhem sem a interferência daqueles políticos que só estão preocupados com as próximas eleições", disse Marina.

A campanha de Dilma tem atacado a proposta marineira de institucionalizar a autonomia do BC, afirmando que ela resultaria em entregar para banqueiros decisões sobre juros, preços, salários e empregos.

Marina ainda não definiu em seu programa de governo qual será o modelo de autonomia do Banco Central que vai propor ao Congresso, mas em países como os Estados Unidos, que adotam a independência da autoridade monetária, os diretores têm mandato e além de controlar a inflação têm também meta de nível de emprego.

O programa de governo de Marina, apresentado no fim do mês passado, fala em "regras definidas, acordadas em lei, estabelecendo mandato fixo para presidente, normas para sua nomeação e de diretores, regras de destituição de membros da diretoria, entre outras deliberações".

No horário eleitoral, Marina também disse que os recursos do pré-sal serão usados na saúde e na educação e, ao ser indagada como financiará suas promessas de campanha, questiona o que poderia ser feito com os 500 bilhões de reais que, segundo ela, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), "deu para meia dúzia de empresários falidos".

SEMELHANÇAS

Já o programa eleitoral do candidato pelo PSDB, Aécio Neves, repetiu o discurso de "indignação" feito por ele em seu programa na terça-feira, e também aproveitou para apontar o que chamou de "muitas coisas em comum" entre Dilma e Marina, que disputam a liderança na preferência do eleitorado, segundo as pesquisas, enquanto o tucano ocupa uma distante terceira posição.

"Marina e Dilma foram contra o Plano Real, que acabou com a inflação no Brasil. Marina e Dilma foram contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, que proíbe os governantes de gastarem mais do que arrecadam. Marina e Dilma, durante o escândalo do mensalão, estavam juntas no governo do PT, e lá ficaram", disse a propaganda tucana, mostrando fotos separadas das duas adversárias lado a lado.

Marina foi ministra do Meio Ambiente do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de 2003 a 2008. Antes, foi senadora pelo PT e acompanhou as posições do partido contrárias ao Plano Real.

"Com tantas coisas em comum, difícil imaginar um governo diferente com qualquer uma delas. Quer mudar de verdade? Aécio Presidente."

(Reportagem de Eduardo Simões)

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