Ator de "Baretta" acusado de homicídio sai de tribunal cantando

Por Howard Breuer

VAN NUYS, Califórnia (Reuters) - A juíza que preside o julgamento por homicídio do ator Robert Blake proibiu na segunda-feira a presença de câmeras de TV no recinto do tribunal durante o depoimento das testemunhas. Mas os procedimentos legais ganharam menos destaque do que o comportamento do antigo astro mirim.

Conhecido principalmente pelo papel de tira durão na série policial de sucesso "Baretta", Blake saiu do tribunal comendo um cachorro quente, pediu um violão emprestado de um músico de rua e cantou e tocou "Somewhere Over the Rainbow" diante dos jornalistas presentes.

A cena inusitada levou os "espectadores" a crer que Blake, que normalmente evita a imprensa, não quis fazer menos do que Michael Jackson. No mês passado, depois de comparecer a um tribunal de Santa Barbara, acusado de abuso sexual infantil, Jackson saiu do tribunal, subiu em cima de seu carro e apresentou alguns passos de dança.

Dentro do tribunal, a juíza da Corte Superior Darlene Schempp recusou o pedido feito por órgãos de imprensa para televisionar o julgamento de Blake. Mas ela autorizou a presença das câmeras durante as declarações iniciais e finais dos advogados.

"Como Blake é uma celebridade tão grande, sei que existe grande interesse por este caso", disse Schempp. "Temo que as testemunhas possam assistir aos depoimentos de outras pessoas, no dia anterior, e se deixarem influenciar."

JÚRI VAI VISITAR CENA DO CRIME

A juíza decidiu que o júri, que será escolhido em 17 de fevereiro, terá que ir até a viela em Los Angeles onde Blake é acusado de ter dado um tiro fatal em sua mulher, Bonny Lee Backley, em maio de 2001, quando ela estava sentada em seu carro esporte Dodge Stealth.

A promotoria quer que os jurados vejam a distância entre o carro e o restaurante, além da lata de lixo onde a arma foi encontrada e as condições de trânsito e iluminação na viela onde Bakley foi encontrada.

Robert Blake, 70 anos, é acusado de assassinar Bonny Lee Bakley, que tinha 44, numa viela atrás do restaurante Vitello's, onde eles tinham acabado de jantar. O ator disse à polícia que deixou Bakley no carro enquanto ia buscar a arma que carregava para sua proteção pessoal e esquecera no restaurante.

Blake e Bakley tinham uma filha, Rose, que hoje tem 3 anos.

O ator, que foi aclamado pela crítica pelo trabalho que fez de um assassino em "A Sangue Frio", de 1967, está em liberdade, após pagamento de fiança. Se for considerado culpado, pode ser condenado à prisão perpétua, sem possibilidade de liberdade condicional.

No ano passado as acusações de conspiração formuladas contra um ex-empregado de Blake, decorrentes do assassinato, foram arquivadas, e o empregado é visto como potencial testemunha tanto da defesa quanto da acusação.


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