Amigos lembram de Roberto Marinho em velório no Rio

Divulgação

Roberto Marinho ao lado
de sua mulher, Lily Marinho


RIO DE JANEIRO (Reuters) - Parentes e amigos de Roberto Marinho acompanhavam nesta quinta-feira o velório do empresário em sua casa no Cosme Velho, zona sul do Rio de Janeiro. Marinho morreu na noite anterior, aos 98 anos, vítima de complicações de um edema pulmonar.

O único barulho que se ouvia no local pela manhã era o das dezenas de flamingos no jardim. Os filhos Roberto Irineu e José Roberto, a viúva Lily de Carvalho e os irmão Ilda e Rogério velavam o corpo no saguão repleto de obras de arte, que dá acesso ao jardim de inverno da residência. O corpo estava coberto com flores brancas e cercado de quatro castiçais de prata.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que decretou 3 dias de luto pela morte do empresário, deveria chegar ao Rio de Janeiro por volta das 13h para acompanhar o velório. O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, acompanharia Lula. "O Brasil perde, mas devemos aplaudir o exemplo dado por ele para todos os brasileros, demostrando que é possível construir grandes obras em uma grande nação", disse Palocci rencentemente à imprensa.

AMIGOS, FUTURO

Entre os amigos que compareceram à residência dos Marinho pela manhã estavam: o presidente do Bradesco, Lázaro Brandão, o representante do Unibanco, Eduardo Lacombe, o senador Jorge Bornhausen (PFL-SC), o empresário Olavo Monteiro de Carvalho, o designer gráfico Hans Donner, os apresentadores Fausto Silva e Luciano Huck, o humorista Renato Aragão e os escritores Nélida Piñon, Carlos Heitor Cony e João Ubaldo Ribeiro.

Para Piñon, colega de Marinho na Academia Brasileira de Letras, ele foi um dos grandes brasileiros deste século e do passado. "Só vamos ter uma dimensão exata da importância deste homem muitos anos depois. Ele confiou neste país e levou o centro do debate para as parcelas mais abandonadas da população graças aos veículos que criou", disse a escritora. João Ubaldo Ribeiro afirmou que estava aturdido pela notícia. "Apesar da sua idade, ele emanava uma vitalidade muito visível, por isso a gente não supunha um final assim."

Para alguns dos profissionais da Rede Globo que estiveram presentes no velório, a continuidade dos empreendimentos de Roberto Marinho não sofrerão com sua morte. Jayme Monjardim, um dos diretores da emissora, lastimou a perda do empresário, mas expressou confiança nos herdeiros da família. "A TV fica órfã, mas os filhos de Roberto são entusiastas e acreditamos neles. Além disso, somos todos uma equipe para mantermos o símbolo", disse.

José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, chegou à residência dos Marinho acompanhado do diretor Daniel Filho. Emocionado e evitando falar com a imprensa, Boni também depositou nos filhos a esperança em relação aos negócios. "Durante 30 anos, tive uma convivência próxima a ele, algo que começou a me faltar quando deixei a TV Globo e, agora, de forma definitiva", comentou Boni.

Grande apaixonado pelo Rio de Janeiro, Roberto Marinho morava numa propriedade localizada numa área nativa da Mata Atlântica. Da mesma cor rosa dos famosos flamingos que vivem no jardim, a casa possui também uma fonte, um lago com uma ponte e uma escultura com o símbolo da Globo em mármore branco. A fachada da casa estava repleta de coroas de flores. Do lado de fora, poucos curiosos se reuniam juntamente com os jornalistas.

O enterro de Roberto estava previsto para às 15h, no Cemitério São João Batista. O corpo seria levado ao local por um cortejo em um carro da Rede Globo.

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