"Big Brother África" mostra outra face do continente

Por Andrew Quinn

JOHANESBURGO (Reuters) - O caos e conflitos do continente africano passam bem longe das tela de "Big Brother África," seriado de TV realidade no qual os 12 concorrentes trancados em uma casa bebericam coquetéis e paqueram à beira da piscina.

"Big Brother África" oferece aos telespectadores muito bate-papo inconseqüente e atrações mais apimentadas -- as imagens do chuveiro com os concorrentes se ensaboando são particularmente populares.

No fim de semana passada, a audiência teve uma surpresa quando dois participantes aparentemente fizeram sexo no ar, uma cena sem precedentes em um continente onde valores morais conservadores predominam.

Os produtores têm grandes esperanças com esse programa, dizendo que é uma chance para que os africanos assistam uns aos outros como pessoas, independentemente das histórias trágicas sobre a região que dominam a mídia.

"Big Brother, de um jeito modesto, oferece uma imagem diferente dos africanos. Somos educados, podemos nos envolver uns com os outros. Não estamos sempre em guerra", disse Carl Fisher, diretor de produção da emissora sul-africana M-Net, que realiza o programa ao lado da produtora holandesa Endemol.

"Big Brother África" está atraindo cerca de 25 milhões de telespectadores na África, segundo Fisher. O programa tem participantes da África do Sul, Namíbia, Botsuana, Angola, Uganda, Tanzânia, Gana, Nigéria, Malaui e Quênia. A estréia foi em 25 de maio e deverá ficar no ar por 106 dias.

Os participantes foram escolhidos com um critério rígido e tendem a representar a elite educada de seu país.

"Partimos da idéia de que todos na casa teriam que ter um verniz de cultura mundial, em termos de MTV, jeans, Madonna e inglês", disse Kole Omotoso, assessor cultural do show.

O resultado para o espectador casual é uma África menos exótica do que alguns poderiam esperar. A meta do programa, no entanto, não é avançar agendas.

"No final, é um programa de entretenimento", disse Fisher. "Não é um tratado social ou político sobre a África."

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