"South Park" chega ao centésimo episódio e continua escrachado

Por Ray Richmond

LOS ANGELES (Hollywood Reporter) - "South Park" transformou Jesus Cristo em apresentador de TV a cabo e Barbra Streisand em monstro de filme de horror japonês. Numa época de correção política obstinada, "South Park" vem sendo a exceção à regra, um programa que se orgulha em falar grosso.

A televisão como a conhecemos nunca mais foi a mesma desde que "South Park" entrou na jogada, em 3 de agosto de 1997. Com o centésimo episódio indo ao ar na semana passada, a idéia de que esse seriado doentio, depravado -- e sempre relevante em termos sociais -- tenha sobrevivido por tanto tempo é prova de alguma coisa. Mas do quê?

Será que é verdade que, depois de criar uma luta entre Jesus e Satanás exibida pela TV em pay-per-view, você já pode fazer praticamente qualquer coisa?

Será que os criadores e produtores executivos de "South Park", Trey Parker e Matt Stone, transformaram a televisão em zona franca para o escracho?

"Matt e Trey são gênios dementes -- esse é o maior elogio que posso fazer", diz o criador de "Os Simpsons", Matt Groening.

O apresentador de talk show Jimmy Kimmel acrescenta: "O que me deixa espantado é que, quase seis anos depois de estrear, 'South Park' continua a ser engraçadíssimo, toda semana."

A ORIGEM

Os responsáveis pelo início de "South Park" são vários.

Para começar, há Brian Graden. Hoje presidente de entretenimento da MTV e VH1, Graden era executivo da FoxLab em 1996 quando encomendou de Parker e Stone um videocartão de Natal que Graden mandou para 50 amigos.

O curta animado mostrava Cartman, Stan e Kyle, personagens de "South Park", juntamente com Jesus e Papai Noel, brigando até a morte para definir o verdadeiro sentido do feriado. Ele iria tornar-se um dos curtas pirateados mais famosos de todos os tempos.

"Eu nunca poderia ter imaginado que ia acabar na mesa do presidente da CBS", conta Graden.

Sem essa exposição informal, é questionável se "South Park" teria acontecido. Mas Graden não acredita nisso.

"Matt e Trey teriam virado notícia de uma maneira ou outra", diz ele. "Mas foi inacreditável: um dia eles eram a curtição privada minha e de meus amigos, e duas semanas depois eles viram capa da Newsweek."

Outro que merece crédito pelo sucesso do desenho é Doug Herzog, presidente da rede USA Network, que era presidente da Comedy Central na época em que "South Park" foi lançado.

"'South Park' transformou a Comedy Central em rede imprescindível da noite para o dia", ele conta. "Depois de nos tirar de sua grade em 2 milhões de residências, a TCI foi obrigada a nos chamar de volta porque os assinantes exigiam assistir a 'South Park'."

Quando o quarto e quinto episódios foram ao ar, a audiência da Comedy Central já era três ou quatro vezes superior ao nível normal. O fenômeno chegou ao pico em abril de 1998, com um índice de audiência estratosférico.

Até a chegada de "The Osbournes" na MTV, no ano passado, aquele tinha sido o episódio de seriado de maior audiência na história da televisão a cabo.

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