Geraldo Rivera deixa o Iraque malvisto pelo Pentágono

Por Steve Gorman
Reuters

Ex-apresentador estava
cobrindo a guerra

LOS ANGELES (Reuters) - Um dia depois de o Pentágono ter exigido que ele deixasse a zona de guerra no Iraque por ter divulgado a posição das tropas americanas numa transmissão de TV, o repórter Geraldo Rivera se "ofereceu voluntariamente" para sair do país, informou na terça-feira a Fox News Channel.

Rivera, que acompanhava a 101ª Divisão Aerotransportada do Exército americano, desagradou aos militares quando, numa transmissão ao vivo no domingo, desenhou um mapa na areia para mostrar aos espectadores sua localização aproximada e para onde as tropas provavelmente avançariam a seguir.

Representantes do Pentágono disseram que a transmissão de Rivera comprometeu a segurança operacional da unidade do Exército e, diante da insistência dos comandantes em campo, a Fox News concordou em retirá-lo da zona de guerra.

O veterano correspondente, conhecido por seu estilo provocador, não estava oficialmente "embutido" ("embebed") na 101ª Divisão Aerotransportada, mas tinha sido autorizado a unir-se à unidade ainda no Kuwait.

Os jornalistas que acompanham as tropas se comprometem a obedecer certas normas básicas que visam salvaguardar a segurança militar.

SALVO-CONDUTO

O porta-voz da Fox, Robert Zimmerman, disse que Rivera deixaria o Iraque na manhã desta quarta-feira e que as forças armadas dos EUA lhe dariam salvo-conduto.

Rivera deve juntar-se à equipe da Fox News que está cobrindo a guerra desde a Cidade do Kuwait.

Para Rivera, que em 2001 deixou o programa de entrevistas que comandava havia sete anos na CNBC para cobrir a guerra no Afeganistão para a Fox News, o conflito no Iraque representa seu esbarrão mais recente com a polêmica jornalística.

Dias depois de chegar ao Afeganistão, Rivera recitou o Pai-Nosso sobre "chão sagrado" perto de Kandahar, a cidade que era o reduto do Taliban e onde três soldados americanos e vários combatentes afegãos anti-Taliban tinham sido mortos por acidente num ataque aéreo americano.

Mas, depois que sua presença no local foi colocada em dúvida pelo jornal Baltimore Sun, Rivera reconheceu que, na realidade, estava a centenas de quilômetros de distância, no local de outro incidente de "fogo amigo" que ele confundira com o primeiro. De acordo com o Baltimore Sun, ele teria dito que seu erro se deveu à "névoa da guerra".

Rivera também foi criticado por outros jornalistas por portar uma arma enquanto trabalhava no Afeganistão, apesar do tabu que proíbe que correspondentes de guerra andem armados.

Mas ele não é o primeiro correspondente a ter problemas com as forças armadas americanas no Iraque. O Pentágono já tinha expulsado um repórter freelancer do jornal The Christian Science Monitor, Philip Smucker, que foi acusado de revelar a posição de uma unidade dos fuzileiros navais durante entrevista que concedeu à CNN.

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