TV Al-Jazeera pede que EUA garantam liberdade de imprensa

Por Merissa Marr

LONDRES (Reuters) - Proibido em Wall Street e expulso da Internet, o canal árabe de notícias Al-Jazeera defendeu sua polêmica cobertura da guerra no Iraque quarta-feira (26) e exigiu que os Estados Unidos o ajudem em nome da liberdade de imprensa.

A Al-Jazeera, que enraiveceu Washington ao exibir imagens de soldados norte-americanos mortos e capturados, expressou preocupação depois que dois de seus repórteres foram banidos da bolsa de valores de Nova York (NYSE), e seus sites na Web foram vítima de hackers.

A NYSE suspendeu todas as transmissões da Al-Jazeera, alegando que as credenciais que fornece se destinam apenas a redes que oferecem cobertura "responsável". A Al-Jazeera teve negado igualmente seu pedido de transmitir ao vivo da bolsa Nasdaq, também em Nova York.

"É preciso que haja um esforço nacional para proteger ainda mais a liberdade de imprensa", disse Jihad Ballout, porta-voz da Al-Jazeera.

"Apelamos às autoridades para que prestem atenção a isso", acrescentou.

A Al-Jazeera tomou o mundo árabe de assalto desde que foi lançada, em 1996, com seu jornalismo polêmico e estilo ousado e ocidental, que atraíram uma audiência de mais de 35 milhões de telespectadores.

Depois de ganhar renome na guerra do Afeganistão ao exibir imagens exclusivas de Osama bin Laden, o canal via satélite com sede no Catar se tornou também um sucesso na Europa, com um aumento de 100 por cento no número de espectadores desde o começo da guerra no Iraque.

Mas a CNN do mundo árabe despertou a ira dos Estados Unidos no domingo, ao exibir imagens de prisioneiros norte-americanos em choque e soldados dos EUA mortos, com ferimentos a bala aparecendo, o que forçou o Pentágono a fazer um raro apelo às redes de televisão do país para que não usassem as imagens.

A Al-Jazeera também exibiu na quarta-feira imagens que alega ser de dois soldados britânicos mortos e dois prisioneiros de guerra da mesma nacionalidade.

DUPLICA NÚMERO DE TELESPECTADORES NA UE

Na Europa, a Al-Jazeera alega ter obtido mais de 4 milhões de assinantes na semana passada. Nos EUA, ela atraiu pouco mais de 100 mil assinantes.

"Na Europa, somos mais populares em países com grandes populações muçulmanas, como a França. No Reino Unido também tivemos altas entre os muçulmanos de origem não árabe", declarou Ballout.

Os telespectadores, que assinam por intermédio de operadoras locais de TV via satélite, ficam absortos nas imagens mesmo que não consigam entender as palavras. Não há legendas em inglês.

"Trata-se claramente de uma violação da liberdade de imprensa", disse Jeffrey Chester, diretor do Center for Digital Democracy, uma organização que fiscaliza a mídia em Washington. Na semana passada, o Iraque ordenou que os jornalistas da CNN deixassem Bagdá. O site da Al-Jazeera em inglês (http:english.aljazeera.net), que foi ativado na segunda-feira, e seu site em árabe (http://www.aljazeera.net) terminaram derrubados por ataques de hackers na terça e na quarta-feira.

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