Boni se livra da Globo e vai atrás de projeto universitário

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Boni deu "graças a deus" que o contrato acabou

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Livre dos laços que o prendiam à Rede Globo, o ex-todo-poderoso da emissora José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, comanda agora em uma sala comercial num edifício no Leblon, zona sul do Rio de Janeiro, sua nova empresa de consultoria de propaganda e marketing.

É de lá também que Boni, de 68 anos, formata um projeto em conjunto com a Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, de São Paulo, para que alunos e professores possam fazer programas para a TV Gazeta, emissora gerida pela Fundação Cásper Líbero, da qual a faculdade faz parte.

"Esse projeto ainda é um sonho. Estamos trocando idéias. É algo lento, não tenho pressa", disse ele em entrevista recente à Reuters.

Boni foi o responsável pela implantação do chamado "padrão Globo de comunicação" na emissora que trabalhou por 33 anos. A saída do então vice-presidente de operações foi iniciada em 1995.

Gradativamente, ele foi se afastando do dia-a-dia da emissora até se tornar consultor, sem obrigação de dar expediente. Em janeiro deste ano encerrou-se a "quarentena" a que estava submetido pelo contrato vencido em 2001.

LONGE DA GLOBO, "GRAÇAS A DEUS"

Apesar do fim da sua relação com a Globo -- "Graças a Deus", diz ele --, Boni evita fazer comentários sobre a atual situação da emissora, seja do ponto de vista artístico ou financeiro.

Na verdade, o antigo executivo ainda tem, indiretamente, um pezinho junto ao ex-patrão. Durante a quarentena, Boni adquiriu duas emissoras de TV: em Taubaté e São José dos Campos, ambas no interior de São Paulo que, juntas, cobrem 40 cidades de alto poder aquisitivo.

Se continuasse à frente dos canais televisivos, Boni teria que ser "fiel" à Globo por mais cinco anos, já que as emissoras são afiliadas globais.

Assim, para livrar-se do compromisso, deu as TVs ao seu filho J.B. de Oliveira, o Boninho, atual diretor-geral do "Big Brother Brasil 3" e responsável pelo desenvolvimento do formato de reality show para a Globo.

Enquanto esteve de quarentena, o mercado publicitário especulou que Boni ganhava 500 mil reais por mês para ser consultor da emissora de Roberto Marinho. Mas ele mesmo dizia que opinava pouco porque pouco lhe consultavam.

"Estou em uma fase de buscar projetos isolados, nada de longo prazo. Eu não fazia nada. Agora, vou fazer um nada seletivo", afirmou.

NADA DE POLÍTICA E SBT

Na Boni Comunicação ele pretende atuar como consultor de propaganda e marketing, mas descartou a possibilidade de trabalhar com assessoria política.

"Só anuncio produto que o cliente possa devolver", brincou ele, que iniciou na carreira justamente como publicitário.

Já a idéia do trabalho em conjunto com Cásper Líbero partiu de Luiz Borgerth, ex-diretor de relações políticas do SBT, que durante 20 anos foi diretor de rede na Globo.

"Ele acha que está na hora de se trabalhar a experimentação", disse Boni.

Apesar de ter negado que o SBT faça parte dos seus planos imediatos, ele admitiu ter conversado seriamente com Silvio Santos no ano passado.

"O Silvio tinha pressa e, naquela época, eu ainda estava preso à Globo e a emissora não iria me liberar. Assim, perdemos a oportunidade", contou.

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