Em clima de ansiedade, redes de TV se preparam para a guerra

Por Steve Gorman

LOS ANGELES (Reuters) - Enquanto um número crescente de jornalistas dá ouvidos ao aviso de George Bush e deixa Bagdá antes de o ataque liderado pelos Estados Unidos começar, as principais redes de TV norte-americanas concordaram em compartilhar as imagens obtidas da capital iraquiana nas primeiras 24 horas da guerra.

O acordo para criar um pool de imagens, fechado entre as redes CBS, ABC e NBC e os canais de jornalismo a cabo CNN, Fox News Network e MSNBC, representa uma cooperação rara entre as emissoras, algo que não é visto desde a cobertura dos ataques de 11 de setembro.

Bagdá está sendo vista como um lugar mais perigoso para os jornalistas do que era no início da Guerra do Golfo de 1991, porque hoje a capital iraquiana é o principal objetivo militar das forças lideradas pelos EUA.

E, como os EUA e seus aliados deixaram claro que pretendem derrubar o regime de Saddam Hussein, os jornalistas enfrentam um risco maior de serem tomados reféns ou tombar vítimas de possíveis distúrbios civis.

Na terça-feira, a CBS e a CNN eram as duas únicas redes norte-americanas a ter correspondentes e equipes próprias em Bagdá, mas ambas disseram que estão reavaliando constantemente os planos de ficar na capital.

A porta-voz da CNN, Megan Mahoney, disse que a CNN e agências de notícias ocidentais estão procurando obter do governo iraquiano autorização para seus repórteres trabalharem em frente ao edifício do Ministério da Informação iraquiano, no centro de Bagdá.

ALVO POTENCIAL

"Mas o prédio é um alvo potencial do ataque norte-americano", disse Mahoney.

As equipes da ABC e da NBC deixaram Bagdá na segunda-feira, engrossando um fluxo constante de jornalistas que estão deixando o país, ao lado de diplomatas, funcionários de organizações humanitárias e inspetores de armas da ONU. Os jornalistas têm saído de Bagdá de carro, atravessando o deserto até chegar à Jordânia, numa viagem de oito horas.

PETER ARNETT

Mas a NBC se beneficia da presença contínua em Bagdá do jornalista Peter Arnett, ex-correspondente da CNN no Iraque durante a Guerra do Golfo. Hoje ele trabalha para o programa "National Geographic Enquirer", da MSNBC, e está atuando como repórter da NBC e MSNBC.

A ABC conta com o correspondente freelancer Richard Engel, que envia reportagens de Bagdá pelo videofone, e tem um acordo de cooperação com a BBC, que, até terça-feira, ainda tinha sete jornalistas na capital iraquiana.

Várias redes têm jornalistas no norte do Iraque, e todas têm equipes em outras partes da região, acompanhando as unidades militares norte-americanas que devem entrar no Iraque com as forças invasoras, nas próximas horas.

Consta que a rede em árabe Al Jazeera, do Catar, que deve fornecer imagens de dentro do Iraque, teria acordos de compartilhamento de imagens com todas as outras redes.

UOL Cursos Online

Todos os cursos