Peça dirigida por Caio Blat estréia em Recife

Por Fabíola Girardin, especial para a Reuters

RECIFE (Reuters) - Na última sexta-feira estreou em Recife o espetáculo "Karma", dirigido pelo paulistano Caio Blat, de 22 anos, com um elenco integrado apenas por jovens pernambucanos de 17 a 23 anos de idade.

"A juventude da produção tem tudo a ver com a peça, já que a proposta é descobrir o que a gente veio fazer aqui e como transformar este mundo confuso e violento", disse Blat, que faz seu terceiro trabalho como diretor e é conhecido do público por suas atuações em novelas da TV Globo.

O texto tem a assinatura de Betito Tavares, recifense de 23 anos que estréia nesta peça como autor e já contracenou com Blat como o cabeludo Cardosinho em "Coração de Estudante".

Foi durante a minissérie que ele e Blat se tornaram amigos e passaram a discutir o projeto do espetáculo.

Além de Betito, o elenco de "Karma" é formado por Mariz (que interpreta Rafael na novela "Esperança"), Samuel Vieira (bem atuante nos palcos pernambucanos) e Danilo Moreno, que faz sua primeira incursão como ator.

Para valorizar a dramaturgia e os profissionais locais, Betito fez questão de estrear o espetáculo em Recife. "Uma espécie de compromisso com minha terra", relatou ele à Reuters.

Trabalhar em meio à "pernambucanidade" em nada incomodou Blat. "Encontrar um grupo tão disposto e entregue só fez crescer a minha admiração por Recife, cidade que mais gosto depois de São Paulo, onde nasci", revelou o diretor.

SINOPSE

"Karma" conta o drama de um ser que vem do espaço, cai na Terra dentro de um corpo e não consegue se lembrar de onde veio e o que tem a fazer no planeta. Com sua vivência em meio aos conflitos do dia-a-dia, questiona tudo: por que o medo, por que a vida, por que a morte, por que o amor?.

Betito explicou que quatro personagens interpretam faces da natureza humana. Primeiro vem a dos instintos, depois a da percepção sentimental, em seguida a do raciocínio lógico e, por fim, a mística ou transcendental. "O Karma, ou o Homem Gentil, é o homem integrado com todas as suas faces", explicou Blat, acrescentando que teorias evolucionistas foram pesquisadas para a composição dos personagens da peça.

Além desse encontro entre as várias maneiras de interpretar a evolução humana, os efeitos compõem uma parte importante de "Karma".

A maquiagem também é peculiar nesta produção. Os personagens têm cabelos escuros, rostos pintados de branco e manchas escuras para delinear os olhos e a boca.

Segundo Blat, a maquiagem associada à iluminação tem um efeito importante para a mensagem da peça, que pretende despertar algo intuitivo no espectador.

Mas tanto Blat quanto Betito concordaram que o diferencial remete à trilha sonora feita ao vivo por Alpha Petulay -- congolesa radicada em Pernambuco e conhecida por fazer um som do gênero tribal --, acompanhada de violão, violoncelo e percussão.

"A musicalidade de Alpha está completamente integrada à história", afirmou Blat, acrescentando que ela compôs as músicas do espetáculo a partir dos poemas de Betito.

"Karma" fica em cartaz no Teatro Capiba, no Sesc de Casa Amarela, em Recife, até 22 de dezembro. Segundo Blat, o espetáculo deverá seguir depois pelo interior de Pernambuco.

"Mas acredito que, em algum momento, vamos para o Sul. Tenho certeza de que a temática e a produção podem sensibilizar, e muito, o público de lá", concluiu o diretor.

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