TV quer filmar julgamento que pode dar em pena de morte

HOUSTON (Reuters) - A promotoria está contestando a decisão tomada por um juiz do Texas de autorizar uma rede de TV a filmar as deliberações do júri num julgamento que pode resultar em pena de morte.

A filmagem pode garantir um julgamento justo na cidade que manda mais condenados à cadeira elétrica do que qualquer outra nos Estados Unidos, disse o advogado Ricardo Rodriguez. Mas os promotores acham que ela pode influir injustamente sobre o resultado do julgamento.

Atendendo a pedido da promotoria, a Corte de Apelações Criminais do Texas adiou o julgamento por assassinato de Cedric Harrison, de 17 anos, previsto para a segunda-feira, e pediu ao juiz Ted Poe que explique por que decidiu oferecer ao programa "Frontline", da rede de TV pública PBS, acesso tão raro ao sistema de justiça.

Em todo o país, houve apenas alguns poucos casos em que foi autorizada a entrada de câmeras na sala de deliberação do júri, mas nunca em casos em que o réu pode ser condenado à pena de morte.

Harrison é acusado de matar um homem a tiros num assalto e roubo de carro em 2 de junho, mas se disse inocente. Pela lei do Texas, se for considerado culpado ele será condenado à prisão perpétua ou à morte.

Ele e sua mãe assinaram uma autorização para que o programa "Frontline" filme o procedimento todo, informou seu advogado.

Um representante do juiz disse que sua decisão se baseou numa premissa simples: "Quanto mais luz for lançada sobre o processo decisório, melhor", disse ele à Reuters.

Mas a promotoria pediu a um tribunal superior que interrompesse o julgamento e decidisse sobre a conveniência ou não de filmar as deliberações do júri, temendo que isso poderia afetar o comportamento dos jurados.

Os promotores disseram que os jurados podem sofrer represálias dos amigos ou parentes do réu se o condenarem.

Rodriguez, pelo contrário, acha que o fato de se saber filmado fará o júri tomar cuidado máximo para ser justo.

O Texas é o Estado que mais executou pessoas -- 287 desde 1982.

Poe é um juiz republicano que ficou conhecido nos últimos anos por impor sentenças incomuns, tais como obrigar réus a usar placas admitindo seus crimes.

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