Datena entrevista Lula no "Cidade Alerta"

Divulgação/TV Record
SÃO PAULO (Reuters) - Sem medo de "descascar o abacaxi" que é o Brasil, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, voltou a defender o combate à fome na quinta-feira ao dizer que não pode privilegiar os mercados financeiros em detrimento desta prioridade.

"Iremos honrar todos os compromissos feitos pelo governo brasileiro (do presidente Fernando Henrique Cardoso), mas não colocaremos o mercado à frente, privilegiando-o em relação à fome", disse Lula em entrevista ao vivo ao jornal Cidade Alerta da TV Record.

"Não posso admitir como político, como cristão, como pai e brasileiro, que um país rico como o Brasil (...) tenha 43 milhões de pessoas comendo menos calorias e proteínas do que precisam", disse, ao contar que o presidente da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) havia ligado pouco antes para oferecer ajuda, inclusive o envio de uma equipe técnica no início do ano que vem.

Ao comentar a oferta do jogador Ronaldo, que elogiou Lula e se colocou à disposição para "ajudar no que for possível para tornar mais digna a vida de muitos brasileiros", Lula fez um desafio ao craque do Real Madrid e seleção brasileira.

"Eu vou conversar com o Ronaldinho, quem sabe ele se disponha a fazer uma partida de futebol aqui. Quero mostrar a ele como se joga bola", brincou, ao se descrever como um "bom jogador de bola".

"Fui meia-direita. Não era tão bom mas dava pro gasto".

GOSTO POR ABACAXI

Mais do que discutir projetos, Lula deixou claro, durante a entrevista ao jornalista José Luiz Datena, qual será sua atitude no novo governo.

"Eu não tenho medo de descascar abacaxi, porque eu gosto de abacaxi. Eu nunca tive nada fácil na minha vida", disse o homem eleito com quase 53 milhões de votos, ao comentar os problemas que enfrentará quando assumir o cargo em janeiro.

"Eles (os partidos de oposição) podem ter divergência do projeto que defendemos, e podem fazer oposição a nós. Democracia é exatamente isso. (...) Mas acho que as pessoas não farão oposição. Tem muita gente responsável no PSDB que não vai fazer oposição apenas por ser oposição."

Como fez durante a campanha, o petista usou uma série de comparações para descrever situações reais. "Quando a pessoa muda pra uma casa nova, demora pra se acostumar", disse, em relação ao novo governo.

Lula garantiu que não será um presidente que em "três meses já se esqueceu do povo. Não sou presidente pra isso", disse, ao mesmo tempo que prometia apenas trabalho. "Não sou salvador da pátria, não vou fazer nenhum milagre. Vou trabalhar, trabalhar como nunca trabalhei".

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