Com traços de livro infantil, desenho mostra ursos viciados em tecnologia

Thamires Andrade

Do UOL, em Los Angeles*

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    Os irmãos Polar, Pardo e Panda são os protagonistas da animação “Ursos Sem Curso”, do Cartoon Network

    Os irmãos Polar, Pardo e Panda são os protagonistas da animação “Ursos Sem Curso”, do Cartoon Network

Esqueça aquele traço comum, típico dos desenhos animados, e pense na fofura das ilustrações dos livros infantis com um toque de modernidade. É assim a nova série do Cartoon Network que estreia nesta segunda-feira (24), às 20h15, "Ursos Sem Curso". O desenho aposta na graça e na comédia para chamar a atenção para a história dos irmãos Pardo, Panda e Polar, três ursos que adoram redes sociais e tentam se integrar ao cotidiano humano e socializar.

O trio passeia empilhado pela Baía de São Francisco, no norte da Califórnia, onde vive em uma caverna equipada com wi-fi. Pardo, o irmão mais velho, é considerado o líder e é sempre muito protetor. Já Panda, o irmão do meio, é romântico e viciado em seu smartphone, enquanto Polar, o irmão mais novo, é mais excêntrico e fala sobre si mesmo na terceira pessoa.

Em entrevista ao UOL, o criador da série Daniel Chong, 36, contou que começou a desenhar os ursos da série enquanto tentava entreter a sobrinha da sua namorada dentro de uma livraria. "Estava tentando fazê-la rir e veio a ideia de desenhar ursos. Poderia ter desenhado qualquer outro animal, mas provavelmente a escolha foi inconsciente, pois vivo em Berkeley, na Califórnia, uma região com muitos ursos", afirma.

O traço mais "fofinho" e que remete às ilustrações de livros infantis também não foi escolhido por acaso, já que um dos livros favoritos de Chang é o original do "Ursinho Pooh", ilustrado por E. H. Shepard. "Olhei muito o trabalho de Shepard e o charme da ilustração dele me inspirou, mesmo usando computadores para desenhar, busquei criar algo que parecesse que foi desenhado à mão", conta.

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O uso da tecnologia, um dos temas do desenho, retrata a realidade dos dias atuais

Para o criador da série, a intenção era que a fofura dos três irmãos atraísse as pessoas de início para que depois elas compreendessem que o desenho é bem mais do que isso. "Tive o cuidado de mostrar a cada episódio os diferentes aspectos que o desenho pode ter. Recentemente teve um episódio mais emocional, que fez com que as pessoas chorassem. Aos poucos a audiência percebe que o desenho não é só uma comédia, mas que também mexe com a emoção. Acho que quando estabelecemos que podemos contar diferentes histórias, o céu é o limite", afirma.

A tecnologia, parte presente nos episódios de "Ursos Sem Curso", não foi introduzida na série para criticar a sociedade conectada, mas sim para retratar a realidade dos dias atuais. "Uso tanto a internet quanto eles e acho que isso é inevitável. Definitivamente os ursos podem aprender com algumas situações, como ficar menos envolvido no celular e desistir de relacionamentos reais, mas as redes sociais estão nos episódios como uma forma de abraçar a tecnologia sem julgamento", afirma.

A inspiração para cada história varia, mas Chong garante que a equipe nunca pensa apenas no que as crianças gostariam de ver. "Claro que somos cautelosos com o tema que vamos abordar, mas estamos criando uma série para todos. Sempre pensamos em uma história relevante para a atualidade, portanto tem episódios sobre tecnologia, foodtruck, famosos online e ecobags. As histórias vêm de diferentes lugares", conta.

Outra curiosidade sobre o desenho é a maneira que os três irmãos andam pela cidade: empilhados. "Não criei isso por nenhuma razão em especial, foi bem aleatório, queria fazer as pessoas rirem e pensei que eles poderiam andar empilhados", conta. Mas Chang afirma que essa disposição fez com que ele ajudasse a definir a personalidade de cada um dos ursos. "Quando os vi assim, ficou claro que aquela era uma hierarquia de irmãos, então no topo você tem o mais velho, que é o líder, no meio o filho do meio, mais emocional, e no chão o irmão mais novo, que às vezes é um pouco negligenciado", fala.

Como a história se passa em São Francisco, cenário importante da cultura gay, e "urso" também é uma gíria LGBT, Chong conta que chegou a ver alguns comentários relacionando o desenho a este universo. "Mas o Cartoon nunca se preocupou de usar esses personagens e não acho que vamos ter qualquer tipo de problema com isso", afirma.
 

* A jornalista viajou a convite da Turner

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