Prostitutas de luxo são retratadas em "O Negócio", nova série brasileira da HBO

Letícia Mendes
Do UOL, em São Paulo

Mulheres que frequentam restaurantes caros e festas da alta sociedade, acompanhando homens milionários, casados ou solteiros, e cobrando muito bem por isso, fazem parte do universo que será retratado pela nova série produzida pela HBO Latin America Originals, em parceria com a Mixer.  “O Negócio”, criado por Luca Paiva Mello e Rodrigo Castilho, mostrará em 13 episódios, com uma hora de duração, a vida de três garotas de programa de luxo de São Paulo, que serão vividas pelas atrizes Rafaela Mandelli (“Meu Nome Não É Johnny”), Juliana Schalch (“E Aí, Comeu?”) e Michelle Batista (da série “Aline”).

A trama traz jovens bonitas, bem vestidas e com formação universitária, que aplicam teorias de administração e marketing para seu novo empreendimento: a prostituição.

Sobre a criação da série, o diretor Luca conta que, pesquisando sobre o tema, achou uma frase do executivo Jack Welch, que diz "você não pode fazer o trabalho de hoje com os métodos de ontem se pretende estar no mercado amanhã”. Uma questão surgiu para Luca: “e se três profissionais do sexo passassem a aplicar os mais modernos conceitos de marketing à profissão mais antiga da humanidade?”. Durante dois anos, a equipe trabalhou no sistema de "writing room", com um roteirista-chefe comandando quatro a cinco roteiristas.

Michel Tikhomiroff, codiretor da série, conta que foi um processo exaustivo achar as atrizes ideais para os papéis principais. “Como os roteiros já definiam muito precisamente a personalidade de cada uma delas, a quantidade dos habituais testes de elenco, leituras de cenas e ensaios se multiplicaram absurdamente. Encontrar atrizes não só extremamente talentosas, mas lindas e com a voz certa para cada uma das personagens foi um verdadeiro desafio”, diz

As protagonistas

Luna (Juliana Schalch)
Personagem escolhida para conduzir a história. Romântica e apegada à família, a estudante de administração sonha em casar até que surge um convite para mudar de vida. “Ela deseja que essa profissão seja apenas uma passagem. Ela é meio malabarista porque não quer que as pessoas saibam que está ganhando dinheiro com isso”, explica Juliana. Para manter a imagem de boa menina para os pais, Luna chega a apresentar um “namorado de mentirinha”. “Ele sabe que ela é garota de programa e eles estabelecem um trato para manter essa fachada. Ela tem toda a artimanha para lidar com as situações, mas não pensa nas consequências”, conta.
Karin (Rafaela Mandelli)
Ela tem 31 anos e é uma mulher de classe média que vira garota de programa por opção e convida as outras meninas para começarem “o negócio”. “Claro que tem a questão do dinheiro envolvida, mas realmente foi uma escolha e ela não é vítima de nada. Ela optou por essa profissão e vai tentando alcançar os objetivos dela, que são não depender de ninguém, conseguir trabalhar e ganhar bem”, conta Rafaela.
Magali (Michelle Batista)
A mais jovem das três garotas, ela é impulsiva, espontânea, extrovertida e inconsequente. “Ela vive mais intensamente, não pensa antes de fazer, não tem medo de se dar mal, e não está preocupada com o que as pessoas pensam dela”, diz Michelle. Patricinha de família rica que vai à falência, Magali começa a dar pequenos golpes, namorando pessoas ricas para morar em hotéis e frequentar a alta sociedade. “Ela não trabalhava como garota de programa, mas, quando conhece a Karin e a Luna, ela se dá conta de que não faz algo muito diferente disso, pois sempre viveu numa troca de favores”.

Sexy sem ser vulgar

Michelle conta que torceu muito para ser escolhida no teste por ser uma personagem diferente das que já fez. “Geralmente, as pessoas me chamam para fazer meninas fofas e meigas. Cheguei aqui morena e discreta. A primeira mudança foi virar loira platinada, sendo que eu nunca fui loira na minha vida. A ideia foi da Aline Canela, que cuida do figurino”.

As gravações, que começaram no dia 22 de junho e terminam no início de novembro, foram antecedidas por ensaios e leituras entre a direção e o elenco. “Quando filmamos, já estávamos bem afinados, nos conhecíamos bem, tínhamos uma intimidade grande”, conta Rafaela, que também fez algumas aulas de esgrima e tênis para a personagem.

UOL visita bastidores de gravação

Quarenta e cinco pessoas, entre equipe de produção e elenco, filmaram cenas aleatórias do primeiro, quarto e décimo episódios, desde as 6h da manhã em uma bela mansão, localizada no bairro de Santo Amaro, na zona sul. O set do dia representa a casa dos pais de Luna (Juliana) em Campinas, interior de São Paulo. Em cena, os atores Cris Bonna e Tony Mastaler ficam chocados ao se depararem com um carro laranja na garagem, no lugar de um vermelho. Fred, o irmão caçula vivido por Pedro Inoue, fica revoltado quando os pais perdoam Luna por ter trocado a cor do veículo. Fotos das gravações.

Um dos acordos feito com os diretores é que as atrizes buscariam como referência garotas próximas a elas, mas sem usar “Bruna Surfistinha” como um modelo. “A ideia era trazer para nossa realidade. Foi um processo de preparação interno, completamente diferente do que já fiz. A linguagem e o próprio roteiro já trouxe uma maneira distinta de abordar esse assunto. Não peguei nada de referência do que foi feito ultimamente”, diz Rafaela.

Para Michelle, o grande desafio foi não cair no clichê. “Essas meninas estão em outro patamar. O nosso laboratório seria frequentar a alta sociedade paulistana, mas não dá para saber se a garota é ou não prostituta. Elas são elegantes, finas e educadas. Poderia ser qualquer uma, mas ninguém sabe quem ela é. São super discretas”, afirma. Juliana, que já viveu uma prostituta de luxo no filme “E Aí, Comeu?”, conta que se inspirou nas cenas de strip-tease de Natalie Portman em “Closer – Perto Demais” (2004). “A grande questão é que elas são meninas que a gente encontra na rua. Não tem trejeito, estereótipo, é como uma profissão qualquer, não dá para identificá-las”.

Sobre as cenas de sexo de “O Negócio”, Rafaela conta que todas foram decididas pela direção, que passou confiança para o elenco. “As cenas foram muito conversadas antes pra serem feitas de uma maneira que seguisse a linha da série, que é muito sofisticada, não tem nada de vulgar”.

Michelle conta que nunca tinha feito cena de sexo na sua carreira. “A gente quis saber muito, o que deu uma tranquilizada nas três. Elas são meninas elegantes, então não caímos na vulgaridade. Elas são meninas que cobram muito caro, e estão num lugar inatingível, de contemplação e beleza”, conta a atriz.

Para abordar o tema da prostituição com delicadeza, a série aposta em uma linha descontraída. “O humor dela é sofisticado, não é uma comédia. Claro que tem seus conflitos e questões, mas também não é dramática. A minha personagem, por exemplo, é extremamente irônica e isso dá uma leveza e uma graça para ela”, diz Rafaela. Juliana conta que o programa lhe deu a oportunidade de trabalhar com um lado cômico. “Para mim, está sendo uma grande escola aprender o tempo da comédia em uma série”.

A estreia de "O Negócio" está prevista para o segundo semestre de 2013.



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