"A personagem não está tão distante", diz Tainá Müller sobre Liara de "Cheias de Charme"

Luana Borges
PopTevê

  • Jorge Rodrigues Jorge / Carta Z Notícias

    Tainá Müller é a despojada Liara de "Cheias de Charme" (10/8/12)

    Tainá Müller é a despojada Liara de "Cheias de Charme" (10/8/12)

Entrar em uma novela que está há meses no ar pode se tornar o clássico "pegar o bonde andando". Além de encontrar um elenco já entrosado, ainda é preciso se familiarizar com o perfil do papel rapidamente. Mas Tainá Müller assegura que não teve problemas com Liara, sua personagem em "Cheias de Charme". Até porque nas outras duas novelas que fez na Globo, "Eterna Magia" e "Insensato Coração", aconteceu coisa semelhante.

"Quando entrei, 'Cheias de Charme' já era um sucesso e a novela é muito ágil. Mas não tem muita opção, tenho de fazer funcionar. Acaba adrenalizando mais, no bom sentido", constata.

Na trama, Tainá interpreta uma mulher moderna que volta ao Brasil depois de uma temporada em Berlim, na Alemanha. Aqui, acaba engatando um romance com o grafiteiro Rodinei (Jayme Matarazzo) e se empenha em divulgar o trabalho dele no mercado da arte.

"A Liara é a clássica livre, leve e solta. Tem o espírito aberto, é desprovida de preconceito", define a atriz, que, no ano passado, deu vida a uma personagem extremamente oposta na TV.

Em "Insensato Coração", Tainá encarnou a patricinha Paula, que era preconceituosa e chegava a flertar com a vilania. "Para mim, foi muito legal ter a oportunidade de fazer uma personagem muito diferente logo em seguida", comemora.

PopTevê – Na trama, a Liara tem uma visão mais ampla das coisas. Enxerga uma sofisticação na obra de um grafiteiro e, ao mesmo tempo, gosta da música das Empreguetes. Que referências buscou para compor a personagem?

Tainá Müller – Na verdade, conheço muita gente assim. Talvez, de todas as personagens que já fiz, a Liara seja a mais parecida com o círculo de pessoas que convivo. Eu costumo me relacionar com gente muito aberta. Então, nesse ponto, não faltaram referências. Eu mesma me considero uma pessoa com a cabeça aberta.

PopTevê – Essa proximidade com o universo do seu papel facilita o seu trabalho?

Tainá Müller – Não sei se facilita. Talvez facilitar não seja a palavra, mas a personagem não está tão distante. Ao mesmo tempo, busquei referências artísticas do que está acontecendo de mais contemporâneo nas artes plásticas. Tenho alguns amigos artistas plásticos que me ajudaram, como o Luiz Roque, que deu um giro nas galerias de São Paulo. Os Gêmeos (renomada dupla de irmãos gêmeos grafiteiros de São Paulo) também acabaram me ajudando de alguma forma, me trazendo inspiração.

PopTevê – Geralmente, um ator se torna conhecido pelo grande público através de um personagem na TV. Mas, com você, esse reconhecimento veio depois que atuou em "Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora É Outro". Como analisa esse caminho?

Tainá Müller – O "Tropa de Elite" é um fenômeno indiscutível. Com certeza, foi o filme em que fui mais assistida porque obviamente é o longa mais visto. Na verdade, o que me projetou mesmo foi "O Cão Sem Dono", que é um filme mais de arte, que poucas pessoas assistiram no cinema e que, na época, foi um sucesso de crítica. Então, as referências de onde me conheciam eram muito dispersas. Agora, acho que depois do "Tropa de Elite" e de "Insensato Coração", ficaram mais claras. Mas realmente o meu primeiro grande trabalho de projeção foi o "Tropa". O reconhecimento para o grande público veio do cinema e não da televisão. Eu fiz oito longas e quatro novelas.

PopTevê – Por que você acabou fazendo mais trabalhos no cinema do que na TV?

Tainá Müller – Sempre quis trabalhar com cinema, desde antes de ser atriz. Eu editava os curtas em 16 mm na faculdade. Eu só tinha uma certeza: iria trabalhar com cinema na vida, não sabia onde. Naturalmente, acabei procurando mesmo mais cinema. Só que no Brasil a gente não tem uma indústria cinematográfica. A indústria é a televisão. É interessante para o ator passar por ali, o que eu acabei gostando. Descobri na TV um outro estímulo. Justamente o que eu gosto no cinema, que é o tempo de preparo, de cena, de cuidado; na televisão, desperta em você uma outra capacidade. Que é ficar muito independente e, ao mesmo tempo, encontrar a emoção muito rápido. É tudo muito ágil. Você tem de fazer bem aquilo em um tempo curto. Eu gosto de coisa difícil.
 



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