Com Don Draper na crise dos 40, "Mad Men" estreia a quinta temporada nos Estados Unidos

Ana Maria Bahiana
Do UOL, em Los Angeles

A quinta temporada de Mad Men – que estreia neste domingo (25) nos EUA e em abril no Brasil – começa não na agência Sterling Cooper Draper Pryce, mas na concorrência, a (verdadeira) Young & Rubicam. Na verdade, começa na rua, na Avenida Madison que inspira o título da série, onde um grupo de militantes negros pelos direitos civis faz uma passeata.

O que acontece a partir desse confronto – os publicitários nos arranha-céus , os militantes no asfalto da Avenida Madison – passa como uma corrente elétrica subterrânea ao longo das duas horas do episódio de estreia, estabelecendo, logo de cara, que os anos 1960 chegaram à metade, e que tudo vai mudar cada vez mais no mundo dos mad men e suas mulheres.

A quarta temporada, encerrada há distantes ano e meio, anunciava algumas destas mudanças: a nova agência titubeava em seus primeiros passos, lutando para achar um lugar na concorrência; novos e inesperados clientes – uma fábrica japonesa de automóveis! – ofereciam novos e inesperados desafios; e, no centro de tudo isso, Don Draper (Jon Hamm) lutava com os desdobramentos de sua dupla identidade e tentava, mais uma vez, se definir.

Aviso de spoiler: se não quiser saber o que acontece na trama, não continue lendo

A quinta temporada começa a aprofundar todas essas ideias. É o começo do verão norte americano de 1965 e Don vai fazer 40 anos -- o que, nos anos 1960, não era, como hoje, o prolongamento da juventude mas o começo da velhice. Seu pedido de casamento, feito impulsivamente, no final da quarta temporada, à secretária Megan (Jessica Paré) mudou sua vida: casado de novo, com custódia compartilhada dos filhos, um belo apartamento em Manhattan (talvez o mais bonito dos muitos novos cenários da quinta temporada) e, cada vez mais, tédio de sua profissão.

Nos seus calcanhares vem o sempre insatisfeito e ambicioso Peter Campbell (Vincent Kartheiser) que, fazendo trajetória inversa, está agora nos subúrbios, pai de um bebê, cada vez com menos pressa de voltar para casa. O episódio mostra claramente que Peter está, literalmente, aumentando seu espaço na agência, desafiando seus sócios mais velhos -- especialmente Roger Sterling (John Slattery), numa cruel e patética reversão de papéis.

Com Peter à frente de todo o time jovem da agência, eles sentem, com clareza, que “nosso tempo é este agora”.  Essa é, aliás, uma fala de Peggy (Elizabeth Moss), cada vez mais segura de si, encarnando a nova geração de talento criativo que compreende as imensas mudanças que a segunda metade do século 20 vai trazer e não tem medo delas.

A quarta temporada também antecipara a lenta mas irresistível intrusão das mulheres no fechado clube masculino da agência (e do poder). A quinta começa confirmando a tendência, não somente com a crescente importância e complexidade de Peggy, mas também com a evolução da fantástica Joan (Christina Hendricks). Trancada em casa por conta de seu bebê recém-nascido, Joan se debate com a claustrofobia da vida doméstica e sonha, na verdade, com o tumulto (e o poder) do escritório, onde ela é, cada vez mais, indispensável. Quando mais de um personagem masculino diz, no episódio de estreia, que “não sabe viver” sem ela, é possível imaginar todas as muitas ramificações desse poder.

ELENCO FALA SOBRE QUINTA TEMPORADA DE "MAD MEN"

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