Manifestações - Momentos de júbilo e apreensão

Flávio Ricco

Flávio Ricco

Colunista do UOL
  • Eduardo Knapp/Folhapress

    Veículo da TV Record estacionado em frente à Prefeitura de São Paulo é incendiado no sexto dia dos protestos que começaram contra o aumento da tarifa do transporte coletivo

    Veículo da TV Record estacionado em frente à Prefeitura de São Paulo é incendiado no sexto dia dos protestos que começaram contra o aumento da tarifa do transporte coletivo

Difícil encontrar alguém contrário às manifestações, que vieram se espalhar nas ruas das grandes cidades, colocando com transparência a indignidade e insatisfação de toda a sociedade com os desmandos em nosso país.

Mas como bem colocou o jornalista Hélio Schwartsman, na Folha de ontem, em todo e qualquer movimento de massa há motivos tanto para júbilo como apreensão.
 
Sobre as manifestações – 2
 
As manifestações de agora, de maneira inevitável, farão nossas autoridades perceberem que os olhos estão voltados para elas. Há o desejo de mudar o Brasil. Este é o lado positivo de tudo.

Devemos lamentar, no entanto, as cenas de vandalismo e agressões a jornalistas ou a destruição de equipamentos de televisão, como aconteceu com a unidade móvel da Record, em São Paulo. Foi coisa de bandido. Atos que são condenados até pelas próprias lideranças do movimento.
 
Sobre as manifestações – 3
 
As principais emissoras de televisão, naquilo que as suas próprias grades de programação permitem, têm procurado cumprir o dever de informar da melhor maneira possível.
O destruído caminhão de externas da Record não foi colocado nas proximidades da sede da Prefeitura de São Paulo por acaso. Os profissionais, jornalistas e técnicos, ali estavam corajosamente para cumprir uma missão.
 
Sobre as manifestações – 4
 
A Bandeirantes, na TV aberta, é a que tem procurado dar uma maior cobertura aos acontecimentos, inclusive passando por cima de alguns compromissos da sua programação, como é o caso da igreja que paga pela utilização daquele espaço.

Na terça-feira, José Luiz Datena ficou praticamente 7 horas no ar, ao vivo. Só um profissional, com a sua capacidade de improvisação, consegue chegar a tanto. O "Quem fica em pé?" já está no ar. Durante este tempo, a Band permaneceu durante 36 minutos em segundo lugar.
 
Sobre as manifestações – 5
 
Foi-se o tempo que o Diretor de Programação tinha poderes absolutos e ficava na emissora até altas horas controlando a exibição de acordo com o necessário. O falecido Eduardo Lafon era craque nisso. Hoje, no geral, as emissoras estão com as grades engessadas. Mudar aqui ou ali, mediante as circunstâncias, é um verdadeiro suplício. Precisar falar com Fulano, que vai pedir a Sicrano, que necessita consultar o dono.

Resistir à burocracia e peitar as normas é sempre um drama na vida desses profissionais, não por acaso, os mais imprescindíveis na vida de qualquer TV.

*Colaboração de José Carlos Nery

Flávio Ricco

Jornalista, passou por algumas das mais importantes empresas de comunicação do país, como Tupi, Globo, Record e SBT. Dirigiu o "Programa Ferreira Netto" e integrou a equipe do "SBT Repórter". Escreve sobre televisão desde 2003. Email: colunaflavioricco@uol.com.br.

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